terça-feira, 17 de abril de 2007

editorial de terça

Operação Furacão
Há dois modos de interpretar os resultados da Operação Hurricane, que resultou por ora na prisão de 25 pessoas, incluindo magistrados, policiais, empresários, advogados e exploradores do jogo ilegal, suspeitas de participação num esquema de corrupção.Numa leitura pessimista, as instituições nacionais nunca estiveram tão podres. Repetem-se os casos de altos funcionários do Estado envolvidos com o crime organizado. Desta feita, foram presos nada menos do que três desembargadores da Justiça Federal do Rio de Janeiro, um procurador da República e três delegados da Polícia Federal (PF), que executou a operação.Os que preferem enfatizar o lado positivo das coisas podem regozijar-se com o fato, até há pouco raro, de pessoas influentes estarem sendo investigadas e presas. O Judiciário e a PF não estão hesitando em agir contra os seus.É possível que tanto o pessimista como o otimista estejam certos: a corrupção disseminou-se à medida que o crime organizado foi ampliando suas atividades, e as instituições também avançaram e desenvolveram uma atuação mais republicana.O caminho a perseguir é este mesmo da Operação Hurricane e, antes dela, da Anaconda (2003), que desmantelou uma rede de corrupção na Justiça Federal de São Paulo.Magistrados e agentes públicos devem ter em mente que atuam em duas esferas. O impacto mais óbvio de ações como a Hurricane está no desbaratamento de uma quadrilha e sua saída de cena. Menos evidente mas não menos importante é o efeito das prisões sobre a percepção popular. É aí que residem as melhores chances de a Justiça brasileira mostrar que é igual para todos e não se limita a mandar para a cadeia pobres que não podem pagar um bom advogado.Afirmar esse princípio, no entanto, não significa lançar pessoas à execração pública apenas porque provêm de estratos sociais mais altos. O amplo direito de defesa precisa ser resguardado também para dar o exemplo. Alguns dos arrolados como suspeitos na operação Anaconda, vale lembrar, acabaram inocentados ao longo do processo.

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