Operação Furacão
Há dois modos de interpretar os resultados da Operação Hurricane, que resultou por ora na prisão de 25 pessoas, incluindo magistrados, policiais, empresários, advogados e exploradores do jogo ilegal, suspeitas de participação num esquema de corrupção.Numa leitura pessimista, as instituições nacionais nunca estiveram tão podres. Repetem-se os casos de altos funcionários do Estado envolvidos com o crime organizado. Desta feita, foram presos nada menos do que três desembargadores da Justiça Federal do Rio de Janeiro, um procurador da República e três delegados da Polícia Federal (PF), que executou a operação.Os que preferem enfatizar o lado positivo das coisas podem regozijar-se com o fato, até há pouco raro, de pessoas influentes estarem sendo investigadas e presas. O Judiciário e a PF não estão hesitando em agir contra os seus.É possível que tanto o pessimista como o otimista estejam certos: a corrupção disseminou-se à medida que o crime organizado foi ampliando suas atividades, e as instituições também avançaram e desenvolveram uma atuação mais republicana.O caminho a perseguir é este mesmo da Operação Hurricane e, antes dela, da Anaconda (2003), que desmantelou uma rede de corrupção na Justiça Federal de São Paulo.Magistrados e agentes públicos devem ter em mente que atuam em duas esferas. O impacto mais óbvio de ações como a Hurricane está no desbaratamento de uma quadrilha e sua saída de cena. Menos evidente mas não menos importante é o efeito das prisões sobre a percepção popular. É aí que residem as melhores chances de a Justiça brasileira mostrar que é igual para todos e não se limita a mandar para a cadeia pobres que não podem pagar um bom advogado.Afirmar esse princípio, no entanto, não significa lançar pessoas à execração pública apenas porque provêm de estratos sociais mais altos. O amplo direito de defesa precisa ser resguardado também para dar o exemplo. Alguns dos arrolados como suspeitos na operação Anaconda, vale lembrar, acabaram inocentados ao longo do processo.
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