Clima de omissão
OS RELATÓRIOS do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, órgão da ONU) a respeito do aquecimento global buscam dois apoios na ciência: observações e previsões. O primeiro tipo é fundamental, por fornecer os dados que alimentam os programas de computador que simulam o comportamento futuro do planeta. É justamente aí que Brasil e América Latina têm sérias lacunas.As observações incluem séries históricas de variáveis físicas (temperatura e precipitação, entre outras) e biológicas (ritmo de crescimento de plantas, área de cobertura vegetal etc.). Modelos numéricos empregam várias equações para integrar todos esses dados. Se conseguirem reproduzir algo próximo da realidade, podem com alguma confiança predizer o futuro.Na segunda parte do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, divulgada dia 6 em Bruxelas, falava-se do risco de "savanização" de parte da Amazônia. Previsões sobre tais impactos na América Latina, porém, contam só com confiança média, por serem rarefeitas as informações. De 29 mil conjuntos de dados usados, cinco provinham da região.No Brasil, estão indisponíveis para climatologistas séries meteorológicas inteiras do século 20 em posse do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), resumiu a deficiência: "O Brasil é um grande vazio de monitoramento do que ocorre nos processos físicos e biológicos".Sem tal esteio, o país -tão dependente da natureza, da agricultura à hidreletricidade- não tem como aprofundar estudos de adaptação (medidas para diminuir o impacto social e ambiental do aquecimento). Ao governo Lula cabe a responsabilidade de pôr fim a essa letargia, orientando a política científica para cobrir os vazios inexplicáveis.
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