quarta-feira, 18 de abril de 2007

crônica do dia

Um outro enfoque da mídia e da influência americana na nossa cultura

O que o mestre mandar
Durante quase um século, eles nos ensinaram que fumar era bacana, adulto e moderno. Para isso, tinham professores fascinantes: Bette Davis, Joan Crawford, Humphrey Bogart, Lauren Bacall. Podia-se fumar cantando, como Sinatra; dançando, como Fred Astaire; beijando, como Lana Turner. Fumava-se à vontade em elevadores, igrejas e hospitais. Nós e o mundo fizemos o mesmo.Mas, então, eles descobriram que fumar não fazia bem, e a ordem foi banir o cigarro dos filmes, restaurantes, escritórios, fábricas, shoppings, bares e até boates. Nós e o mundo fizemos o mesmo.No mesmo período, eles nos ensinaram que a comida ideal era aquela carne moída, tipo pré-digerida, ou uma salsicha de recheio incerto, servida entre dois pães e pingando, para ser devorada em pé, na rua, com as mãos. Era a fast food. E, para isso, também tinham um elenco de garotos-propaganda: do Wimpy, louco por hambúrgueres, ao gordo Bolinha e ao palhaço do McDonald's. Nós e o mundo aderimos com gula e sofreguidão.Mas, há pouco, eles descobriram que a fast food contém gorduras letais, provoca obesidade e pode levar a doenças horríveis. Nasceu uma campanha contra ela, exortando os americanos a evitá-la. E nós e o mundo, em que ficamos?Por fim, e por igual período, eles nos ensinaram a admirar os pistoleiros Jesse James, Billy the Kid e Wyatt Earp. Ficamos íntimos da Magnum 44, do Colt 45, da Winchester 73 e de outras ferramentas da civilização americana. Tanto que nos dedicamos furiosamente a usá-las uns contra os outros, entre nós mesmos.Às vezes, como anteontem, eles descobrem que ferramentas análogas, nas mãos de um animal doente e agressivo, como o ser humano, costumam ser mortíferas. Alguns até já cogitam proibi-las. Pode ser que, lá, nos EUA, eles consigam.

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