Cana máxima
Zeu de Tal, um dos sete condenados pela morte do repórter Tim Lopes em 2002, beneficiou-se em julho último da "progressão da pena" que vigora entre nós. É um dispositivo pelo qual, tendo cumprido 1/6 do tempo, o detento pode sair para passear, visitar a velha ou cometer novos crimes, desde que volte para dormir atrás das grades. Zeu, compreensivelmente, preferiu não voltar.Fora da prisão, o beneficiado pela "progressão da pena" tem uma agitada vida social. Alguns de seus compromissos são com os que contribuíram para a polícia prendê-lo cinco anos antes. Essas pessoas costumam ser gente pobre das "comunidades" por onde o bandido circulava. O dito Zeu não deve estar chegando para as vinditas.Tim Lopes foi morto no Complexo do Alemão pela quadrilha do traficante Elias Maluco por causa de uma reportagem de TV. Eles o torturaram, amputaram seus membros a frio e, terminado o serviço, levaram-no ao "microondas" -queimaram-no em pneus- para desaparecer com o corpo. Zeu participou fornecendo a gasolina. Pegou 23 anos de cadeia.Mas, no Brasil, mesmo que o sujeito seja condenado a 300 anos, a sentença cai para um máximo de 30. Elias Maluco, por exemplo, pegou 28. Como já cumpriu mais de 1/6 disso, também está passando da hora de gozar dos privilégios da "progressão da pena". Donde se conclui que, no Brasil, a cana máxima para seqüestrar, torturar, esquartejar, carbonizar e sumir com o corpo é de cinco anos.Parece que uma nova lei restringiu a "progressão da pena" ao cumprimento de 2/5 da sentença para os primários e 3/5 para os reincidentes. Mas não está sendo aplicada em respeito aos "direitos adquiridos" dos presos. É bom saber que, não demora, teremos Elias Maluco circulando de novo na praça.
Ruy Castro
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