sábado, 29 de setembro de 2007

editorial - sábado

Nada espetacular

A MAIS recente safra de pesquisas sobre o mercado de trabalho no Brasil trouxe algumas evidências que merecem atenção. Os resultados relativos ao mês de agosto confirmaram que teve continuidade o movimento, iniciado em junho, de desaceleração do poder de compra dos trabalhadores.Em parte, essa tendência está associada à aceleração da taxa de inflação -decorrente sobretudo da alta intensa dos preços dos alimentos no momento da entressafra da produção agrícola no país e de problemas de oferta em alguns países exportadores. Mas ela reflete também o fato de que o ritmo de crescimento da renda nominal perde velocidade. Na verdade, a renda média do trabalho caiu de R$ 1.133,66 em maio -pico do ano- para R$ 1.109,40 em agosto, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.A sondagem apurou também que a ocupação -isto é, a totalidade das vagas de trabalho, formais ou não- se mantém num ritmo de expansão da ordem de 3% ao ano. Mas o emprego cresce em segmentos (serviços, construção civil) que pagam menos. Essa dinâmica do mercado de trabalho continua a propiciar uma redução bastante lenta e descontínua das taxas de desemprego. O contingente de trabalhadores desocupados permaneceu em 2,2 milhões, resultando em uma taxa de desocupação de 9,5% em julho e agosto.Comportamento semelhante foi identificado na Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese. O rendimento real médio dos trabalhadores caiu 0,9%, o nível de ocupação apresentou variação positiva de apenas 0,4% e a taxa de desemprego oscilou em torno de 15,6%.Embora essas pesquisas tenham abrangência geográfica restrita a seis regiões metropolitanas, elas constituem a fonte de informações mais atualizada e ampla para avaliar o que se passa com o mercado de trabalho brasileiro. E as evidências de que a taxa de desemprego custa a ceder e de que a renda parou de subir se harmonizam com os resultados mais recentes sobre o PIB. O ímpeto de expansão da atividade econômica diminuiu pelo terceiro período consecutivo no segundo trimestre deste ano.Embora haja focos setoriais de aquecimento expressivo -caso da indústria automobilística-, a evolução da economia e do mercado de trabalho está longe de espetacular.

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