domingo, 16 de setembro de 2007

editorial - sábado

A nova demografia

A PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada anualmente pelo IBGE, traz na edição 2006 uma série de indicadores da melhora paulatina, quase vegetativa, do panorama socioeconômico brasileiro. O crescimento anual da renda do trabalho atingiu 7,2%, o maior desde 1995. Em termos reais, no entanto, os R$ 833 mensais mal recuperam o patamar de R$ 888, em 1999. Ainda falta muito para chegar ao valor de 1996, R$ 975.Os dados mostram também algum avanço comedido sob o ângulo distributivo. A metade mais pobre da população, agora com renda média de R$ 293, enfim ultrapassou seu poder de compra de 1996 (R$ 267). O índice de Gini, que mede graus de desigualdade numa escala de 0 a 1, recuou algumas unidades na terceira casa depois da vírgula, passando de 0,543 (2005) para 0,540 (2006).Houve melhora, ainda em outros indicadores, como a taxa de desemprego (8,5%, a menor desde 1997) e o trabalho infantil (11,5%). Foi porém na taxa de fecundidade que a PNAD registrou um movimento histórico, ainda que igualmente esperado: alcançou-se no país a chamada taxa de reposição, de dois filhos por mulher. Aquém dessa fronteira, a população passa a comprometer-se com uma retração futura, quando contingentes declinantes de jovens chegarem à idade reprodutiva.O valor médio da fecundidade em todo o país, contudo, oculta grandes variações entre subgrupos. Nas regiões mais pobres, ainda se encontra bem acima do nível de reposição, o que contribui para manter certa resistência inercial a todo esforço de redução da miséria (na medida em que continuarão nascendo relativamente mais filhos de pais pobres). A PNAD não gerou, por ora, uma tabulação da fecundidade por faixa de renda, mas dados de 2004 indicavam que a proporção varia de 4,6 filhos por mulher (sem rendimentos ou com até um quarto de salário mínimo) a 1,1 (cinco ou mais salários mínimos).De todo modo, a média nacional de fecundidade aponta para um progressivo envelhecimento da população. Não chega a ser alarmante, mas ressalta a dimensão do problema que afetará cada vez mais as contas da Previdência. Conforme aumenta a proporção de idosos auferindo pensões, cai a de jovens aptos a recolher contribuições e fornecer a mão-de-obra de que o país necessita.

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