Jovens de classe média espancam índio até a morte
Um índio da aldeia xacriabá foi espancado até a morte por três jovens de classe média, entre eles dois menores de idade, na madrugada de anteontem, na cidade de Miravânia, no norte de Minas. Segundo informações da Polícia Civil, Avelino Nunes Macedo, de 25 anos, foi seguido depois de sair de uma festa realizada em um ginásio. As agressões foram motivadas por um simples 'esbarrão' ocorrido durante uma festa. A polícia comparou o caso com a morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, há dez anos (veja ao lado). Responsáveis por organizações indigenistas da região temem que o clima na aldeia fique 'tenso', após o crime.Os agressores confessaram o ataque, mas alegaram que não tinham a intenção de matar a vítima. Disseram que queriam apenas dar um 'susto' no índio e 'deixá-lo nu'. Eles admitiram que haviam feito uso de bebidas alcoólicas. O entregador Edson Gonçalves, de 18 anos, foi preso em flagrante e se encontra à disposição da Justiça. Os dois menores foram encaminhados para o Ministério Público e tiveram a apreensão provisória solicitada. Um quarto jovem foi inocentado pelos colegas e liberado pela polícia.De acordo com o delegado do município de Manga, Airton Alves Almeida, os três foram autuados por homicídio qualificado, agravado por motivo fútil. 'O índio deu um esbarrão natural em um dos menores. Então, na saída, resolveram atacar. Não tem explicação, parece o caso do índio Galdino.'O xacriabá tentou reagir, mas foi derrubado e agredido a pauladas, socos e pontapés. Almeida ainda não descarta 'preconceito étnico' por parte do trio. A vítima não portava nenhuma faca ou objeto que pudesse ameaçar os agressores.Manoel Rocha, administrador substituto da Executiva Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Governador Valadares (MG), tratou o assassinato como uma 'molecagem' e um 'caso isolado'. Segundo ele, a procuradoria do órgão irá agora 'tomar as providências cabíveis'.O coordenador da Regional Leste (Minas, Espírito Santo e sul da Bahia) do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Wilson Mário Santana, teme que o caso aumente a violência na região. 'A comunidade é grande e a situação pode ficar tensa.'Segundo o Cimi, cerca de 8 mil xacriabás vivem no norte do Estado, numa área estimada de 54 mil hectares. Com base em uma documentação de doação datada da primeira metade do século 18, eles reivindicam a ampliação do território, o que causa atritos com fazendeiros da região. No fim dos anos 80, três líderes foram assassinados durante o mais recente conflito fundiário.De acordo com Nilton Seixas, responsável pelo Cimi em São João das Missões, o assassinato ocorreu em uma área reivindicada. 'Acho que é preciso investigar melhor essa situação. O episódio nos deu uma preocupação muito grande. Um crime que aparenta ser banal, sem nenhuma razão, ocorreu em meio a um povo que passa por um processo de muita ameaça e vive em um terço do território legítimo'.
Há dez anos, execução de pataxó no DF chocou País
Em 20 de abril de 1997, o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, de 44 anos, foi queimado vivo por um menor de idade e quatro jovens de classe média em Brasília, enquanto dormia em um ponto de ônibus. Ele teve mais de 85% do corpo coberto por queimaduras de terceiro grau e morreu no dia seguinte. Na época, os jovens declararam à polícia que achavam que a vítima 'era um mendigo' e não tinham noção das conseqüências.Em 2001, após cinco dias de julgamento, os quatro maiores foram condenados a 14 anos de prisão em regime fechado. Menos de um ano depois, conseguiram uma autorização judicial que permitia que saíssem da penitenciária para estudar e trabalhar. Em 2003, o benefício foi cancelado, após três dos envolvidos terem sido flagrados passeando, namorando e bebendo cerveja, sem passar por qualquer tipo de revista na volta ao presídio.Eles perderam temporariamente o direito ao regime semi-aberto. Mas, em agosto de 2004, conseguiram liberdade condicional. Hoje estão livres, mas não podem sair do Distrito Federal e devem manter a Justiça informada de suas atividades.DOMÉSTICAO caso mais recente de crime de intolerância, por motivo fútil envolveu a doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos. Na madrugada de 23 de junho deste ano, ela foi espancada e roubada por cinco rapazes num ponto de ônibus na Barra da Tijuca, zona sul do Rio. Na ocasião, os garotos alegaram que confundiram Sirlei com uma prostituta. Ao serem interrogados, disseram que saíram à noite com a intenção de 'zoar umas putas'.Rubens Arruda Breno, de 19 anos; Felippe Macedo Nery Neto, de 20; Leonardo Pereira de Andrade, de 20; Júlio Junqueira, de 21; e Rodrigo Bassalo, de 21 anos, foram indiciados pelo Ministério Público do Estado do Rio por roubo qualificado e lesão corporal - crimes cujas penas podem chegar a 15 anos. No dia 28 de agosto, o STJ concedeu liminar autorizando Felippe a responder o processo em liberdade. Os outros envolvidos permanecem detidos na Polinter, na zona norte do Rio.
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