Aborto não combate a violência, diz demógrafa
De tempos em tempos ressurge no Brasil um debate que, para muitos demógrafos, já deveria estar superado: o país enfrenta uma explosão populacional, que explica, em parte, a pobreza e a violência. Suzana Cavenaghi, demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e uma das maiores especialistas do país em fecundidade, rebate: "Alguns querem acabar com a pobreza. Outros querem acabar com os pobres".
FOLHA - Crianças nascidas de gravidez indesejada têm mais probabilidade de se tornarem criminosas? SUZANA CAVENAGHI - Crianças que nascem e crescem em situação adversa podem ter alta probabilidade de se tornarem criminosas. No entanto, o erro está em achar que o aborto é uma -ou a única- solução para a violência.
FOLHA - Há estudos que apontam relação entre crime e aborto. Há resistência em debater temas tabus?
CAVENAGHI - Sempre voltamos a um velho dilema com essa questão, que não tem nada a ver com tabus: alguns querem acabar com a pobreza, e outros querem acabar com os pobres.
FOLHA - Somos 187 milhões, e o IBGE estima que seremos 260 milhões em 2050. Isso não limita a capacidade do Estado em atender bem?
CAVENAGHI - Não acredito que exista um ótimo populacional [tamanho ideal da população], pois isso depende do contexto, do modelo econômico e de como a população cuida do ambiente. Por isso, não me arrisco a dizer que termos 260 milhões de brasileiros seria ruim. Acho, sim, que é ruim para a economia não conseguir gerar empregos para eles.
FOLHA - É desejável que as mulheres pobres tenham menos filhos?
CAVENAGHI - Dependendo de como se define o que é pobre ou rico, a fecundidade chega a ser o dobro ou até quatro vezes maior entre os mais pobres. No entanto, não acho que deva haver políticas públicas para diminuir a fecundidade.
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