terça-feira, 13 de novembro de 2007

complementando a notícia

O maior desperdício brasileiro é o desperdício de talentos -uma parte deles, além de não produzir nada, ainda vai para o crime. De acordo com as estatísticas do seminário, devem existir no Brasil 5% de pessoas com potencial para altas habilidades -os tais superdotados. Deixe-me traduzir: temos atualmente 60 milhões de crianças e adolescentes, o que significaria que 3 milhões seriam notáveis cantores, médicos, engenheiros, artistas plásticos -e por aí vai. Seus talentos não despertam porque esses jovens não têm estímulo nem na escola nem na família -a maioria deles acaba se acomodando numa vida medíocre. Há projetos brasileiros, como o Ismart, que caçam talentos entre os mais pobres, matriculando-os nas melhores escolas privadas. Os jovens conseguem rapidamente recuperar o tempo perdido e encontrar uma vocação. Vemos como conseguem brilhar, como se abrissem a janela de um quarto escuro. Mas o que acontece ao superdotado se estiver num ambiente que convida seu espírito empreendedor e sua inteligência não para tocar em concertos, pintar quadros, fazer neurocirurgias, mas para entrar na indústria do crime?

Por qualquer número que se examine -jovens nas periferia, taxa de escolaridade ou de emprego-, vê-se a brutal dimensão da marginalidade. Temos 7 milhões de jovens que nem estudam nem trabalham. Segundo as estatísticas, entre eles, teríamos 350 mil supertalentosos. O pior é que, para muito deles, como alertou Giovani, o talento é mais uma fonte de ressentimento, porque são chamados de burros na escola ou pela família. Sua inteligência é, todavia, aceita nas quadrilhas que exigem destreza. É claro que essas histórias sempre acabam mal.

Em se tratando de violência, a discussão mais relevante não é a legalização das drogas, mas a abertura de mais espaços para os jovens a fim de que tenham perspectiva e, assim, possam apostar no futuro. Um país que joga fora quase 3 milhões de seres altamente talentosos só pode ter uma droga de elite.



28.10.07


Se virou consenso a afirmação de que o diferencial não só das empresas mas dos países é seu capital humano, a perda de talentos é o mais terrível aborto brasileiro, no qual se eliminam candidatos a Caetano Veloso, Chico Buarque, Adib Jatene, Oscar Niemeyer ou Paulo Autran. Em seu lugar, é mais provável que nasçam tipos como Marcola. Essa troca faz com que o governador Sérgio Cabral tenha uma dose de razão: a falta de planejamento familiar não é, nem de longe, a principal razão da violência (assim como também não é a droga), mas é uma contribuição na produção das "fábricas de marginais".

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