Chacina na praça
Desde o início do ano, foram registradas no Estado de São Paulo 13 chacinas. Em outras cifras, uma a cada oito dias. A contabilidade macabra registra 52 mortos e 12 feridos, mas apenas uma das matanças foi solucionada -a primeira, de 14 de janeiro- e redundou na prisão de um policial militar.O último e mais letal desses episódios ocorreu domingo e tirou a vida de sete jovens numa praça do bairro do Jaraguá. Quase tão rápida quanto a ação dos facínoras foi a formulação de uma hipótese pela autoridade policial: acerto de contas relacionado com o tráfico de drogas.É a explicação padronizada para esses casos, fruto talvez da experiência acumulada por agentes da Polícia Civil encarregados de elucidá-los. Produto da investigação propriamente dita não pode ser, decerto. Não parece ter havido tempo hábil para corroborar a hipótese com provas materiais e testemunhais.Conclusões baseadas em experiência, e não em evidência, sempre implicam risco de precipitação e preconceito, segundo as sábias regras cartesianas. "Isso é briga de vagabundo", apressou-se a dizer o chefe do distrito onde se registrou a ocorrência. Além de comportar ofensa descabida à memória das vítimas, tais palavras denotam na ação policial o oposto do que deveria ser.Há também testemunhos de que policiais militares teriam comparecido à cena do crime minutos depois do fato e contribuído para descaracterizá-la. São versões que sugerem participação policial na mortandade, tão carentes de comprovação ou refutação quanto a tese do acerto de contas. Cabe à polícia investigar todas as possibilidades, sem atitude preconcebida, para não alongar ainda mais a lista das chacinas paulistas sem solução.
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