É hora de discutir sexualidade
MEC inclui educação sexual nas escolas com projetos de formação e orientação
Em parceria com a Unesco, o Ministério da Educação colocou em prática este ano nas escolas públicas dois projetos de educação sexual: um leva palestras e programas aos jovens de norte a sul do País e o outro dá formação aos professores. Um estudo divulgado em fevereiro pelo Ministério da Saúde, que entrevistou 102 mil estudantes de 13 a 24 anos em todo o País, revela a urgência de medidas como essa: 45% dos jovens que eram portadores do HIV foram contaminados durante relações sexuais sem preservativo. “Isso é falta de orientação e a escola tem papel fundamental nisso”, afirma a coordenadora do projeto, Lorena Bernadete da Silva. A pesquisa revelou, ainda, que 44,7% dos entrevistados têm vida sexual ativa a partir dos 15 anos. Ângela Soligo, professora da faculdade de Educação da Unicamp, ressalta que, para os projetos do MEC serem eficientes, é necessário mais que tratar as questões biológicas. “Hoje, quando se fala em sexualidade, logo se pensa no corpo humano. É preciso se preocupar também com fatores como as transformações que os adolescentes vivenciam, as emoções e os conflitos.”O diretor Antonio Gonçalves Portella, da Escola Estadual Jardim Brasília, na Zona Norte, acha importante palestras de prevenção e defende que os pais sejam consultados. “A parceria escola e pais é essencial para a o jovem ser melhor orientado.”Entre as atividades do projeto de capacitação de professores está um curso semipresencial de Gênero e Diversidade na Escola, que começou no início do ano letivo. Segundo a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, o objetivo é oferecer aos docentes elementos para mudar as práticas de ensino. “Com a formação, os profissionais terão instrumentos para refletir e conviver com atitudes e comportamentos que envolvam a sexualidade”, explica.Angela Soligo acredita que a formação do professor é o passo principal para iniciar o trabalho de educação sexual. “O educador precisa ser qualificado para debater e dialogar com os alunos, entender seus anseios e necessidades. Para mim, esse é um assunto interdisciplinar.”O professor Rogério de Paulo, que leciona de 1ª a 4ª série na Escola Estadual Marina Cintra, no Centro, concorda. “O professor pode e deve ajudar na formação sexual, independentemente da disciplina. Ele pode ficar atento aos assuntos e englobar o tema em diversas disciplinas. Não é um assunto só para a aula de ciências.” SAIBA MAIS1.054 professores de 5ª a 8ª participaram da formação do MEC85% dos professores e 60% dos alunos acham que sua escola deve ter educação sexual
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