sábado, 19 de maio de 2007

complementando a notícia - aquecimento global

Os prefeitos de 46 metrópoles do mundo se dizem decididos a agir contra o aquecimento

Reunidos numa cúpula em Nova York, eles trocaram idéias e compartilharam projetos que visam a reduzir as emanações de gases geradores do efeito-estufa

No final de uma cúpula de quatro dias realizada em Nova York, os prefeitos das grandes cidades do mundo, que garantem estar na linha de frente na luta contra o aquecimento climático, publicaram uma nota, divulgada nesta quinta-feira, 17 de maio. Nesta, eles conclamam os dirigentes dos países industrializados do G8 a "se comprometerem a atuar em função de um objetivo de estabilização em longo prazo das concentrações de gases de efeito-estufa".
Cientes de que as cidades estão na origem de 80% das emissões de gases geradores do efeito-estufa, os representantes de 46 metrópoles, reunidas no quadro de um grupo chamado C40, prometeram agir sem esperar pelas iniciativas dos seus governos, que não raro têm se mostrado pusilânimes em relação a essas questões."O seu comportamento é vergonhoso, mas nós não podemos ficar de braços cruzados", declarou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que era o anfitrião da cúpula e que recentemente manifestou a sua intenção de transformar a "Big Apple" numa "Green Apple", para transformá-la na cidade a mais "verde" do país.O plano de Bloomberg prevê a redução, antes de 2030, de 30% das emissões de gases geradores do efeito-estufa (produzidos na sua maior parte pelo consumo de energia dos prédios para fins de calefação), além do plantio de um milhão de árvores em dez anos e da instauração de um pedágio para os veículos que quiserem aceder ao centro da cidade - uma medida sem precedente nos Estados Unidos
.A conferência dos prefeitos dos Estados Unidos, que foi realizada em margem do C40, aplaudiu a iniciativa de Michael Bloomberg e anunciou que 500 cidades americanas já haviam se comprometido a reduzir as suas emissões de CO2 para níveis inferiores àqueles que foram registrados em 1990, dentro do mesmo espírito que norteou o protocolo de Kyoto, ao qual Washington não quis subscrever.Para os prefeitos das grandes metrópoles, esta era uma oportunidade para compartilhar idéias. O de Addis Abeba (Etiópia) se disse encantado por poder aprender a utilizar a energia solar. Por sua vez, o seu homólogo de Curitiba (Brasil) contou as vantagens de um sistema de ônibus que apresenta, a um custo menor, as vantagens do metrô, por ser dotado de vias exclusivas e funcionar com paradas rápidas e freqüências elevadas e constantes.O objetivo da cúpula também foi de tranqüilizar os participantes em relação ao possível desgaste político que certas medidas poderiam causar. Ken Livingstone, o prefeito de Londres e presidente do C40, se ofereceu para responder à seguinte pergunta: "Como lutar contra os engarrafamentos e, ainda assim, ser reeleito?", lembrando que quando ele quis implantar um pedágio no centro da cidade, a imprensa se mostrou "hostil numa proporção de 98%" e previu as piores conseqüências políticas.

Nenhum comentário: