Violência em declínio
EMBORA jamais tenham primado pela precisão, os dados acerca da violência no Estado de São Paulo apresentam mais variações do que se previa. Nos últimos três anos, apenas no que diz respeito aos seqüestros e roubos a banco, veículos e carga divulgados pelo governo, mais de 16 mil ocorrências não foram contabilizadas.A conclusão é da própria Secretaria da Segurança Pública do Estado, que realizou uma recontagem das estatísticas criminais divulgadas desde 2004. De um total de 14 tipos de crimes analisados, em apenas três a revisão confirmou os dados antigos.O mais importante a reter dessa auditoria, porém, é que a tendência de queda da violência no Estado foi confirmada.À exceção dos casos de roubo, homicídio não-intencional e lesão corporal, todos os outros crimes diminuíram. Neste ano, a incidência de homicídios dolosos caiu 21,8% -de 3.208 casos no primeiro semestre de 2006 para 2.510. Os dados ratificam um movimento que dura oito anos. Em 1999, pico de homicídios, foram 12.818 mortes. Em 2006, o número bruto e a taxa de assassinatos haviam caído mais de 50%.Está para ser realizado um estudo que hierarquize as causas desse fenômeno notável. Trata-se decerto de um evento multifatorial. A elevação do investimento em segurança pública garantiu um número inédito de detenções e condenações, afastando mais criminosos da sociedade.O reforço da ação comunitária de governos e ONGs nas regiões violentas contribuiu para a distribuição dos equipamentos públicos. As campanhas pelo desarmamento e a relativa recuperação do mercado de trabalho também tiveram a sua influência na melhora nos indicadores.Aspectos ligados à demografia, como o envelhecimento da população e o seu enraizamento (fim das grandes ondas de migração que abrangeram os centros urbanos paulistas) também deveriam ser levados em conta.
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