segunda-feira, 27 de agosto de 2007

comentário do ENEM 2007

1. Contextualização

A figura:
Mostra as várias raças que compõem o Brasil.

Texto 1
Letra de música do Engenheiros do Havaí: Ninguém=Ninguém
Fala sobre as diferenças entre as pessoas e as várias visões de mundo possíveis. Propõe que somos todos diferentes e originais, já que nada nesse mundo é igual.

Texto 2
Letra dos Titãs:
Ressalta a igualdade entre os homens, porque somos todos filhos de deus, apesar da humanidade nem sempre lembrar-se desta máxima.

Texto 3
Declaração Universal para a Diversidade Cultural
Compara a importância da diversidade cultural para a humanidade tal qual a diversidade biológica para a natureza, por isso a humanidade precisa respeitar e admirar a diversidade.

2. Proposta
Por fim a proposta esclarece que todos sabem da diversidade cultural, mas nem todos encaram esta diferença de maneira positiva: “nesse sentido ser diferente já não parece tão encantador”.
Quanto à contextualização, o ENEM propõe aos textos e as figuras um caráter motivador, ou seja, não havia muitos elementos ou idéias originais a serem extraídos deles, valia mais a observação e a experiência de vida do aluno.
O importante é destacar a importância da diversidade e as dificuldades que podem surgir ao ser diferente, ou seja, a redação bem contextualizada levará em consideração os aspectos positivos da diversidade e as dificuldades de assumi-la.

3. O tema
O tema proposto na redação do ENEM de 2007 foi amplamente trabalhado nas aulas de laboratório e TPM com os temas:
· “Amai-vos uns aos outros: a humanidade pede respeito” quando discutimos a pluralidade cultural em nosso país e a necessidade de convívio. Tema idêntico ao pedido.
· “Conceito de raça”, a partir das últimas pesquisas genéticas apresentadas em reportagem de capa da revista Veja de junho de 2007, quando foi discutido em sala a ação dos skinheads, a violência e a ignorância deste grupo neonazista. Tema correlato para ampliação de repertório.
O último tema trabalhado foi sobre a imposição de limites aos nossos filhos, com base nas atrocidades dos meninos da Barra da Tijuca que roubam prostitutas, simplesmente por não aceitarem tal conduta, desumanizando-as ao agredi-las e roubá-las. Tema para ampliação de repertório.

4. A prova
Sendo assim, o aluno do Alferes foi amplamente preparado, cabendo ao aluno apenas tranqüilidade e capacidade de administrar o tempo para a boa realização da prova.

5. Refrescando a Memória

Atividade realizada no Laboratório e Turma por Matéria que aborda o tema pedido:

Ciência, bruxas e raças

Do ponto de vista biológico, raças humanas não existem. Essa constatação, já evidenciada pela genética clássica, hoje se tornou um fato científico irrefutável com os espetaculares avanços do Projeto Genoma Humano. É impossível separar a humanidade em categorias biologicamente significativas, independentemente do critério usado e da definição de "raça" adotada. Há apenas uma raça, a humana.
Sabemos, porém, que raças continuam a existir como construções sociais. Alguns chegam mesmo a apresentar essa constatação com tom de inevitabilidade absoluta, como se o conceito de raça fosse um dos pilares da nossa sociedade. Entretanto, não podemos permitir que tal construção social se torne determinante de toda a nossa visão de mundo nem de nosso projeto de país.
Em recente artigo na "Revista USP", eu e a filósofa Telma Birchal defendemos a tese de que, embora a ciência não seja o campo de origem dos mandamentos morais, ela tem um papel importante na instrução da esfera social. Ao mostrar "o que não é", ela liberta pelo poder de afastar erros e preconceitos. Assim, a ciência, que já demonstrou a inexistência das raças em seu seio, pode catalisar a desconstrução das raças como entidades sociais. Há um importante precedente histórico para isso.
Durante os séculos 16 e 17, dezenas de milhares de pessoas foram oficialmente condenadas à morte na Europa pelo crime de bruxaria. As causas dessa histeria em massa são controversas. Obviamente, a simples crença da época na existência de bruxas não é suficiente para explicar o ocorrido. É significativo que a repressão à bruxaria tenha vitimado primariamente as mulheres e possa ser interpretada como uma forma extrema de controle social em uma sociedade dominada por homens. Mas, indubitavelmente, a crença em bruxas foi essencial para alimentar o fenômeno. Assim, podemos afirmar que, na sociedade dos séculos 16 e 17, as bruxas constituíam uma realidade social tão concreta quanto as raças hoje em dia.
De acordo com o historiador Hugh Trevor-Roper, o declínio da perseguição às bruxas foi em grande parte causado pela revolução científica no século 17, que tornou impossível a crença continuada em bruxaria. Analogamente, o fato cientificamente comprovado da inexistência das "raças" deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais. Uma atitude coerente e desejável seria a valorização da singularidade de cada cidadão. Em sua individualidade, cada um pode construir suas identidades de maneira multidimensional, em vez de se deixar definir de forma única como membro de um grupo "racial" ou "de cor".
Segundo o nobelista Amartya Sen, todos nós somos simultaneamente membros de várias coletividades, cada uma delas nos conferindo uma identidade particular. Assim, um indivíduo natural de Ruanda pode assumir identidades múltiplas por ser, por exemplo, africano, negro, da etnia hutu, pai de família, médico, ambientalista, vegetariano, católico, tenista, entusiasta de ópera etc. A consciência de sua individualidade e dessa pluralidade lhe permite rejeitar o rótulo unidimensional de "hutu", que, como tal, deveria necessariamente odiar tútsis. Pelo contrário, em sua pluralidade de identidades ele pode compartilhar interesses e encontrar elementos para simpatia e solidariedade com um outro indivíduo que também é ruandês, negro, africano, colega médico, tenista e cantor lírico, e que, entre tantas outras identidades, também é da etnia tútsi. Em conclusão, devemos fazer todo esforço possível para construir uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada e na qual exista a liberdade de assumir, por escolha própria, uma pluralidade de identidades. Esse sonho está em perfeita sintonia com o fato, demonstrado pela genética moderna, de que cada um de nós tem uma individualidade genômica absoluta que interage com o ambiente para moldar a nossa exclusiva trajetória de vida. Alguns certamente vão tentar rejeitar essa visão, rotulando-a de elitista e reacionária. Mas, como ela é alicerçada em sólidos fatos científicos, temos confiança de que, inevitavelmente, ela será predominante na sociedade. Talvez isso não ocorra em curto prazo aqui no Brasil, principalmente se o Congresso cometer a imprudência de aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, o qual forçará os cidadãos a assumirem uma identidade principal baseada em cor. Um pensamento reconfortante é que, certamente, a humanidade do futuro não acreditará em raças mais do que acreditamos hoje em bruxaria. E o racismo será relatado no futuro como mais uma abominação histórica passageira, assim como percebemos hoje o disparate que foi a perseguição às bruxas.
SÉRGIO DANILO PENA, 58, médico, doutor em genética humana, é professor titular de bioquímica na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Foi presidente do Programa Latino-Americano do Genoma Humano (1992-1994) e presidente do Comitê Sul-Americano do Programa de Diversidade Genômica Humana (1994-1996).


EDUCAÇÃO MULTICULTURAL: PERSPECTIVAS DE ANÁLISE

O reconhecimento do caráter multicultural de grande parte das sociedades leva à constatação da pluralidade de identidades culturais que tomam parte na constituição histórico-social da cidadania, nas mais diversas localidades. Nesse sentido, estudiosos alertam para a necessidade do reconhecimento da inexistência de uma noção de identidade fixa e bem localizada, enfatizando a pulverização das identidades culturais de classe, gênero, etnia, raça, padrões culturais e nacionalidade a serem levadas em consideração em práticas pedagógico-curriculares, voltadas à construção de uma sociedade democrática e ao desenvolvimento da cidadania crítica e participativa.
Deste modo, uma educação multicultural voltada para a incorporação da diversidade cultural no cotidiano pedagógico tem emergido em debates e discussões nacionais e internacionais, buscando-se questionar pressupostos teóricos e implicações pedagógico-curriculares de uma educação voltada à valorização das identidades múltiplas no âmbito da educação formal. No Brasil, o debate assume especial relevância no contexto da elaboração de uma proposta curricular nacional- os Parâmetros Curriculares Nacionais PCNs (Brasil, 1997) -, que inclui "pluralidade cultural" como um dos temas a serem trabalhados.
Em um contexto de crescente globalização, a necessidade de uma educação para a diversidade cultural tem sido defendida a partir de três argumentos distintos:
De um lado, a diluição de fronteiras geográficas pelos avanços da tecnologia, da mídia e da informática estaria propiciando um intercâmbio entre culturas distintas, o que exigiria uma sensibilização para a pluralidade de valores e universos culturais cada vez mais presentes no cotidiano de educadores, alunos e profissionais.

Um segundo argumento refere-se à constatação de uma filtragem de valores dominantes e de uma cultura predominantemente imbuída por valores consumistas que estaria ameaçando culturas locais, estabelecendo um processo de homogeneização, ameaçador das identidades culturais específicas. Nesse caso, educação multicultural é percebida como uma via pela qual se promove o resgate de valores culturais ameaçados, de forma a se garantir a pluralidade cultural, compreendida em uma perspectiva semelhante à de preservação da diversidade ambiental e à defesa de espécies em extinção.

Em uma terceira perspectiva, a globalização é percebida em sua face mais "perversa": à medida que não beneficia igualmente os diversos grupos socioculturais, estaria consubstanciando processos discriminatórios, legitimando desigualdades e reforçando a exclusão social. Fenômenos de racismo, de xenofobia contra grupos socioculturais fragilizados economicamente (tais como imigrantes pobres nos países europeus, por exemplo), bem como movimentos de luta por afirmação de identidades étnicas, são ressaltados nessa perspectiva. Nesse caso, a educação multicultural seria uma via pela qual se superaria uma visão meramente folclórica ou exótica acerca da pluralidade cultural, bem como iria além do mero desenvolvimento de valores de "tolerância" e de "apreciação" da diversidade cultural.


Nada a acrescentar

Em 1997, o assassinato do índio pataxó Galdino, queimado enquanto dormia num ponto de ônibus em Brasília, provocou uma série de discursos indignados no Congresso.Numa sessão logo após o crime, Gilvan Borges (PMDB-AP) disse ao colega Ney Suassuna (PMDB-PB) que faria um discurso sobre o caso e pediu que o aparteasse. Segundo a liturgia da Casa, o aparte é considerado sinal de prestígio do orador.-Houve um crime bárbaro em Brasília. Jovens de classe média queimaram um índio.Suassuna esperava uma deixa para o aparte, mas Borges mudou a linha de argumentação:-Quero saber onde estavam os pais desse índio, que o deixaram dormindo bêbado na rua, bradou, e passou a culpar os pais pelo assassinato.Suassuna, então, alegou um compromisso urgente e deixou o plenário sem o aparte.

Bush e os hispânicos
O que os dois anos do segundo governo Bush, com sua maioria republicana no Congresso, representaram para os chamados hispânicos é sabido. Um muro -ou melhor, uma muralha-, antes de mais nada. Bush queria dar uma no cravo e outra na ferradura. A muralha entre os EUA e o México era para agradar à direita dos republicanos. Essa passou evidentemente no Congresso. Mas, para não perder o voto hispânico, que vinha aumentando, Bush queria introduzir também um processo de legalização dos imigrantes ilegais já instalados nos EUA. Essa lei foi rechaçada pelo Congresso. Sobrou o muro. Só há dois partidos que contam nos EUA, e eles têm representantes em números muito semelhantes. Isso significa que há um grande peso eleitoral possível para minorias organizadas
Para que mude também o tratamento dos imigrantes ilegais, é necessário, entre outras coisas, que a direção do Partido Democrata se imponha sobre seus membros de forma clara. Vários deles foram eleitos com programas anticasamento gay, antiaborto, anti-restrição de armas... e antiimigrantes.


A guerra às crianças
Arthur Miller afirmou: "Poucos de nós podem abandonar facilmente nossa crença de que a sociedade deve de alguma forma fazer sentido. A idéia de que o estado perdeu o juízo e está a punir tantas pessoas inocentes é intolerável. E assim a evidência tem de ser negada internamente". A verdade de Miller foi uma realidade vislumbrada dia 9 de Junho na televisão, quando navios de guerra israelenses dispararam sobre famílias em piquenique numa praia de Gaza, matando sete pessoas, incluindo três crianças e três gerações. O que isto representa é uma solução final, acordada pelos Estados Unidos e Israel, para o problema dos palestinos. Enquanto os israelenses disparam mísseis sobre palestinos participantes de piqueniques e sobre lares em Gaza e no West Bank, os dois governos matam-nos a fome. As vítimas serão sobretudo as crianças. Agora, o estado de terror sob a forma de um sítio medieval está para ser aplicada aos mais vulneráveis. Para os palestinos, uma guerra contra as suas criança não é uma novidade. Em 2004 um estudo de campo publicado pelo British Medical Journal relatava que, nos quatro anos anteriores, "Dois terços das 621 criança ... mortas [pelos israelenses] nos postos de controle ... a caminho da escola, em suas casas, morreram de pequenas armas de fogo, apontadas em mais da metade dos casos à cabeça, nuca e peito – o ferimento provocado por franco atiradores". Um quarto das crianças palestinas com idade inferior a cinco anos estão agudamente ou cronicamente desnutridas. A muralha israelenses "isolará 97 clínicas de saúde básicas e 11 hospitais das populações a que atendem". Gaza, agora selada como uma prisão aberta e aterrorizada pelos estrondos sonoros dos caças de combate israelenses, tem quase a metade da população com idade inferior a 15 anos. O Dr. Khalid Dahlan, um psiquiatra que dirige um projecto de saúde comunitária destinado a crianças, contou-me: "A estatística, que eu pessoalmente considerei insuportável, é que 99,4% das crianças que estudamos sofrem traumas ... 99,2% tiveram suas casas bombardeadas; 97,5% foram expostas a gás lacrimogeneo; 96,6% testemunharam tiros; um terço viu membros da família ou vizinhos feridos ou mortos".


Escreva uma dissertação com no mínimo 25 linhas com o tema:
“Amai-vos uns aos outros – a humanidade pede respeito”
Dê um título a seu texto

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