sexta-feira, 31 de agosto de 2007

editorial de sexta

Avanço vegetativo

A divulgação simultânea de novos apanhados estatísticos descortina um panorama duplo sobre a realidade socioeconômica do país. Na radiografia oferecida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 do IBGE, pobreza e desigualdade sobressaem em quase todos os campos. Na perspectiva mais alongada do relatório nacional de acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o quadro parece um pouco menos desalentador.A tendência do debate público é balizar-se por cifras pontuais e de alto impacto, como a taxa de crescimento do PIB. Dado que a noção de desenvolvimento implica dimensões do progresso social que escapam a essas formas de quantificação, outros indicadores foram propostos, como o já célebre IDH (índice de desenvolvimento humano).Surgiram também iniciativas ao estilo da Declaração do Milênio, adotada em 2000 por 191 países sob a liderança da ONU. Das oito metas fixadas para cumprimento de 1990 a 2015, a primeira e mais importante é a erradicação da pobreza extrema. Aqui, ao menos, o país tem algo de positivo a exibir.O compromisso geral era cortar pela metade a parcela da população com renda per capita inferior a um dólar por dia (no conceito de paridade de poder de compra, ou PPC). O Brasil já o alcançou: em 1990 havia 8,8% dos habitantes nessa condição de extrema pobreza, e 4,2% em 2005. Quase 5 milhões de pessoas escaparam desse contingente miserável, mas 7,5 milhões nele permanecem aprisionados. O desafio nacional, doravante, é baixar tal proporção para um quarto.Considerou-se cumprida em parte a segunda meta mais importante, educação fundamental para todas as crianças. A taxa de escolarização líquida na faixa de 7 a 14 anos passou de 81,4% (1990) a 94,5% (2005), uma virtual universalização do ensino básico. No entanto, só 53,5% chegam à oitava série. Persistem graves disparidades regionais: no Nordeste, meros 38,2% concluem o ensino fundamental.Não há razão para exceder-se no otimismo, como aliás atesta o instantâneo dos orçamentos familiares. A desigualdade, embora se reduza lenta e vegetativamente, ainda produz cifras acabrunhantes: os 10% mais ricos da população efetuam gastos dez vezes maiores (R$ 1.815 mensais por pessoa) que os 40% mais pobres (R$ 179). Nas despesas com saúde, percebe-se a precariedade do acesso dos pobres a serviços de caráter preventivo, dado que 42,9% de seus dispêndios são consumidos em remédios (contra 24,2% dos mais afluentes).Na média, só 3,3% dos gastos familiares são investidos em educação, diante de 7,2% em impostos e contribuições trabalhistas. Nas famílias chefiadas por pessoas que se declaram brancas, a despesa mensal monta a R$ 2.262; no caso de negras, R$ 1.245, e no de pardas, R$ 1.233 (R$ 1.794 é a média nacional).A dívida social mal começou a ser saldada. E erra o governo Lula por fiar-se apenas no resgate assistencialista do Bolsa Família.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

editorial de quinta - Folha

A fase das provas

ACEITA a denúncia do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aberta a ação criminal contra os 40 acusados pela Procuradoria Geral da República, tem início a fase trabalhosa e delicada do processo que galvaniza o país. A mais imediata preocupação decorre da própria complexidade da organização sob julgamento. Quatro dezenas de réus estão habilitados a arrolar várias testemunhas, cujo número arrisca ultrapassar três centenas. Se a oitiva não for ágil, podem vencer antes os prazos de prescrição, pondo por água abaixo todo o trabalho já realizado.O Supremo, felizmente, manifestou estar atento a tal possibilidade. O ministro relator, Joaquim Barbosa, anunciou que a tomada de depoimentos poderá ocorrer por intermédio de juízes federais nos Estados. Depreende-se daí sua disposição de, além de fazer justiça com apuro técnico, igualmente administrá-la no tempo devido.Em paralelo, o STF também sancionou medida a respeito dos chamados embargos declaratórios, recursos facultados à defesa para esclarecer pontos tidos como obscuros e que podem ser cruciais para retardar uma ação penal. Ao decidir que a apreciação dos embargos não impedirá o prosseguimento de interrogatórios dos réus, os ministros evidenciaram o ânimo de concluir a instrução do processo tão cedo quanto possível. Apesar disso, existe a expectativa de que ele se prolongue por mais de dois anos.Nesta nova fase, volta a ser decisivo o papel da Procuradoria Geral. Por ora os ministros do Supremo acataram, até com elogios, a maioria dos argumentos relacionados na denúncia formulada pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza. De outro lado, sinalizaram que compete ao Ministério Público Federal fortalecer as acusações com novas provas. Nem tudo que foi aceito como indício para abertura do processo o será como base para futuras condenações.Não se trata de incumbência trivial, pois o fluxo de dinheiro no cerne do mensalão é notoriamente difícil de rastrear e reconstituir, mais ainda de documentar. Coincidências de datas e valores de saques e depósitos, por exemplo, necessitam de ampla regularidade para caracterizar padrão aceitável como evidência. As sucessivas movimentações de quantias pelo valerioduto tinham precisamente o propósito de dificultar o rastreamento, e só com dedicação e minúcia superiores às da organização podem os investigadores incriminá-la de modo irrefutável.No que toca à acusação de formação de quadrilha, que previsível e finalmente enredou figuras de primeira grandeza do petismo e do governo Lula, parece óbvio que só há perspectiva de obter novas provas testemunhais. Afora uns poucos "aloprados", a ninguém ocorreria isentar de responsabilidade política chefes do calibre de José Dirceu. Mas demonstrar de modo irrefutável os elos da cadeia de comando que os ligam aos operadores materiais dos delitos do mensalão, de maneira a instruir uma eventual condenação, constitui o novo desafio diante do procurador-geral.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

complementando a notícia - educação

Professor pode ter de fazer residência

Um projeto de lei que tramita na comissão de Educação do Senado cria uma residência para professores, nos moldes da residência médica. Seriam 800 horas de prática em sala de aula após a formatura, que se tornariam obrigatórias para a futura atuação dos profissionais nas redes pública e privada do País. A intenção é melhorar a qualidade da formação do professor, principalmente do ensino infantil e dos anos iniciais da educação fundamental.O projeto prevê pagamento de uma bolsa para os formandos durante o período de residência. Segundo o senador Marco Maciel (DEM-PE), autor do projeto, essa verba deveria vir do governo federal. Não há previsão de quanto seria pago ao professor residente. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), há cerca de 90 mil alunos em cursos de Educação no País, que incluem Pedagogia e Normal Superior, entre outros.A residência só seria obrigatória, inicialmente, para os professores que fossem trabalhar no ensino infantil e no início do ensino fundamental, ou seja, no período de alfabetização. Educadores são unânimes em dizer que crianças com defasagens nessa etapa têm prejuízos durante todos os anos da vida escolar. Neste ano, os resultados dos exames nacionais mostraram que o desempenho de alunos em todos os níveis tem piorado no País.O projeto recebeu parecer favorável, na comissão de Educação, do relator, o senador Mão Santa (PMDB-PI), e deve entrar em votação nos próximos dias. Se for aprovado, será encaminhado à Câmara dos Deputados. Ele modificaria a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.Para a diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Sônia Penin, a formação inicial completa do professor deve ser dada na graduação. “O curso de Pedagogia já prevê muitas horas de estágio. O que está claro hoje é que as instituições precisam repensar esses estágios para não fazê-los de forma solta, mas atrelados a realidades de uma escola”, afirma. De acordo com ela, o restante seria a formação continuada, que deve ser feita durante toda a carreira do profissional. “800 horas a mais não serão suficientes para enfrentar os desafios da educação que temos pela frente.”A carga horária, caso o professor trabalhasse 6 horas por dia, durante 20 dias por mês, equivaleria a cerca de 7 meses de residência. “Temos que exigir a mesma qualidade de formação do professor que exigimos de um médico”, diz o especialista da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Artur Costa Neto, que elogiou o projeto. “Hoje, os professores são jogados nas salas de aula sem nenhuma experiência.”Segundo o educador, muitos dos estágios previstos por lei são feitos sem qualquer supervisão na escola ou mesmo da universidade em que o aluno estuda. São exigidas 300 horas de estágio para a formação do professor. Costa Neto, no entanto, diz que a residência também só funcionará se for acompanhada de supervisão e reflexão na universidade.HISTÓRIAAté a aprovação da LDB, nos anos 90, não era exigido no País o curso de ensino superior para professores de todos os níveis. Quem atuava em salas de aula do ensino infantil ou de 1ª a 4ª série precisava apenas da formação do antigo Magistério, que equivalia ao ensino médio. A lei, no entanto, determinou que até 2007 todos os professores brasileiros tivessem diploma de ensino superior.“Se você passa por uma experiência supervisionada antes, discute e leva os problemas que aparecem para os seus professores, sabe ao menos por onde começar”, diz Elisa de Mello Kerr Azevedo, de 43 anos, que está no quarto ano de Pedagogia da Universidade São Judas. Ela faz um estágio supervisionado em um centro educacional mantido pela instituição, em que recebe bolsa de estudos. “Se for uma proposta nesses moldes, acho válido”, afirma, sobre o projeto de lei.

justiça à brasileira

Acusado de bater em doméstica obtém liberdade

O Superior Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus a Felippe Nery Neto, 20, um dos acusados de agredir a doméstica Sirlei Pinto, 32, em junho, no Rio. Ele responderá em liberdade por roubo qualificado e lesão corporal.Neto fazia parte do grupo de cinco jovens que, segundo a polícia, agrediram e roubaram a doméstica em um ponto de ônibus da Barra (zona oeste), às 4h30 no dia 23 de junho.O ministro Nelson Naves, da 6ª Turma do STJ, considerou que ele não havia participado das agressões. Neto foi o primeiro do grupo a ser preso, no mesmo dia da agressão.A polícia o localizou pela placa do carro usado, anotada por um taxista. Ele confessou à polícia a participação no crime e apontou os outros agressores, que seguem presos. Eles afirmaram ter confundido Sirlei com uma prostituta.

editorial de quarta - Folha

Todos processados

O SUPREMO Tribunal Federal satisfez as expectativas da sociedade no primeiro julgamento do mensalão. A partir de avaliação extensiva e minuciosa do relator, ministro Joaquim Barbosa, a corte reconheceu indícios de crime em mais de 80% das imputações presentes na denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.Todos os 40 acusados pelo chefe do Ministério Público Federal se tornaram réus. Excetuando-se o placar apertado (6 a 4) pelo qual foi aceita a acusação por peculato contra Luiz Gushiken, ex-ministro de Comunicação de Governo, prevaleceram as decisões por larga maioria e, caso mais freqüente, as unânimes.As argumentações de alguns dos advogados de defesa mais reputados do país não foram suficientes para desautorizar a acusação. O então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e a cúpula do PT na época dos desmandos -José Genoino e Delúbio Soares-, integrantes, segundo a denúncia, do núcleo principal da "sofisticada organização criminosa", serão processados pelas acusações de corrupção ativa e formação de quadrilha. Também será processado, acusado de formação de quadrilha, o outro membro do núcleo, Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT.O chamado núcleo publicitário, chefiado por Marcos Valério de Souza -que adaptou à escala federal e colocou a serviço do petismo governista uma tecnologia de fraudes gestada sob o governo de Eduardo Azeredo (PSDB) em Minas-, responderá por peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e quadrilha. Já o núcleo financeiro, de ex-dirigentes do Banco Rural -responsável por empréstimos atípicos a Valério e ao PT e agenciador dos volumosos pagamentos em espécie aos mensaleiros-, terá de defender-se das acusações de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.Líderes de partidos governistas que fizeram o recolhimento e a distribuição do numerário serão processados por corrupção ativa. Quem recebeu recursos será alvo de ação por corrupção passiva. O publicitário de Lula na campanha de 2002, Duda Mendonça, e sua sócia Zilmar Silveira, os quais o valerioduto remunerou por meio de uma conta num paraíso fiscal, tornaram-se réus sob a acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.A descrição sucinta do resultado do julgamento de cinco dias não deixa dúvidas quanto à sua gravidade. Se não estivesse preocupado com os "erros históricos" cometidos contra o caju, o presidente da República poderia dizer que nunca na história deste país tanta gente que concentrou tanto poder na política federal -ministros, um presidente da Câmara, cúpulas de partidos aliados, detentores de generosas contas de publicidade e de outros contratos com o poder público- compartilhou o banco dos réus.O Ministério Público está de parabéns, mas precisa redobrar esforços a partir de agora. Qualquer descuido na fase da produção de provas sob instrução judicial ameaçará deitar por terra a esperança de que, após esse caso, esteja superado o estigma da impunidade na política federal.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Será que chegaremos a isso um dia?

Noruega apresenta presídio ecologicamente correto

Os detentos vivem em casas que não são trancadas e tomam conta de galinhas, cavalos, ovelhas e vacas

OSLO - A prisão se segurança mínima de Bastoey, em uma ilha ao sul de Oslo,reivindica o título de primeiro presídio ecológico do mundo, que vinha perseguindo há dez anos.

A prisão que não tem arame farpado ou portões, já foi comparada a um acampamento de férias e agora pode operar com painéis solares, calefação a lenha, reciclagem e produção de comida orgânica.
A idéia é ensinar valores importantes aos 115 detentos, como o respeito ao ambiente e ao próximo.

"Nossa tarefa é criar as melhores oportunidades possíveis para o desenvolvimento do indivíduo, e lançar as fundações para mudanças possíveis", afirmou o diretor Oeyvind Alnaes.

Bastoey, que tem entre seus detentos assassinos e estupradores, representa um contraste forte com a idéia de prisões como locais sinistros, de portas pesadas e muros de pedra. A ilha é verde no verão, tem parias e uma reserva natural.

Os detentos vivem em casas que não são trancadas e tomam conta de 200 galinhas, oito cavalos, 40 ovelhas e 20 vacas, cuidam dos campos, colhem frutas e pescam.

Toda a produção agrícola da prisão é obtida sem produtos químicos artificiais, e os animais são bem tratados.

A Noruega não tem pena de morte, e a pena máxima no país é 21 anos. Poucos detentos cumprem uma sentença completa, e para se preparar para a libertação os prisioneiros recebem liberdades maiores para estudar, buscar terapia, jogar tênis e nadar nas águas ao redor da ilha.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

comentário do ENEM 2007

1. Contextualização

A figura:
Mostra as várias raças que compõem o Brasil.

Texto 1
Letra de música do Engenheiros do Havaí: Ninguém=Ninguém
Fala sobre as diferenças entre as pessoas e as várias visões de mundo possíveis. Propõe que somos todos diferentes e originais, já que nada nesse mundo é igual.

Texto 2
Letra dos Titãs:
Ressalta a igualdade entre os homens, porque somos todos filhos de deus, apesar da humanidade nem sempre lembrar-se desta máxima.

Texto 3
Declaração Universal para a Diversidade Cultural
Compara a importância da diversidade cultural para a humanidade tal qual a diversidade biológica para a natureza, por isso a humanidade precisa respeitar e admirar a diversidade.

2. Proposta
Por fim a proposta esclarece que todos sabem da diversidade cultural, mas nem todos encaram esta diferença de maneira positiva: “nesse sentido ser diferente já não parece tão encantador”.
Quanto à contextualização, o ENEM propõe aos textos e as figuras um caráter motivador, ou seja, não havia muitos elementos ou idéias originais a serem extraídos deles, valia mais a observação e a experiência de vida do aluno.
O importante é destacar a importância da diversidade e as dificuldades que podem surgir ao ser diferente, ou seja, a redação bem contextualizada levará em consideração os aspectos positivos da diversidade e as dificuldades de assumi-la.

3. O tema
O tema proposto na redação do ENEM de 2007 foi amplamente trabalhado nas aulas de laboratório e TPM com os temas:
· “Amai-vos uns aos outros: a humanidade pede respeito” quando discutimos a pluralidade cultural em nosso país e a necessidade de convívio. Tema idêntico ao pedido.
· “Conceito de raça”, a partir das últimas pesquisas genéticas apresentadas em reportagem de capa da revista Veja de junho de 2007, quando foi discutido em sala a ação dos skinheads, a violência e a ignorância deste grupo neonazista. Tema correlato para ampliação de repertório.
O último tema trabalhado foi sobre a imposição de limites aos nossos filhos, com base nas atrocidades dos meninos da Barra da Tijuca que roubam prostitutas, simplesmente por não aceitarem tal conduta, desumanizando-as ao agredi-las e roubá-las. Tema para ampliação de repertório.

4. A prova
Sendo assim, o aluno do Alferes foi amplamente preparado, cabendo ao aluno apenas tranqüilidade e capacidade de administrar o tempo para a boa realização da prova.

5. Refrescando a Memória

Atividade realizada no Laboratório e Turma por Matéria que aborda o tema pedido:

Ciência, bruxas e raças

Do ponto de vista biológico, raças humanas não existem. Essa constatação, já evidenciada pela genética clássica, hoje se tornou um fato científico irrefutável com os espetaculares avanços do Projeto Genoma Humano. É impossível separar a humanidade em categorias biologicamente significativas, independentemente do critério usado e da definição de "raça" adotada. Há apenas uma raça, a humana.
Sabemos, porém, que raças continuam a existir como construções sociais. Alguns chegam mesmo a apresentar essa constatação com tom de inevitabilidade absoluta, como se o conceito de raça fosse um dos pilares da nossa sociedade. Entretanto, não podemos permitir que tal construção social se torne determinante de toda a nossa visão de mundo nem de nosso projeto de país.
Em recente artigo na "Revista USP", eu e a filósofa Telma Birchal defendemos a tese de que, embora a ciência não seja o campo de origem dos mandamentos morais, ela tem um papel importante na instrução da esfera social. Ao mostrar "o que não é", ela liberta pelo poder de afastar erros e preconceitos. Assim, a ciência, que já demonstrou a inexistência das raças em seu seio, pode catalisar a desconstrução das raças como entidades sociais. Há um importante precedente histórico para isso.
Durante os séculos 16 e 17, dezenas de milhares de pessoas foram oficialmente condenadas à morte na Europa pelo crime de bruxaria. As causas dessa histeria em massa são controversas. Obviamente, a simples crença da época na existência de bruxas não é suficiente para explicar o ocorrido. É significativo que a repressão à bruxaria tenha vitimado primariamente as mulheres e possa ser interpretada como uma forma extrema de controle social em uma sociedade dominada por homens. Mas, indubitavelmente, a crença em bruxas foi essencial para alimentar o fenômeno. Assim, podemos afirmar que, na sociedade dos séculos 16 e 17, as bruxas constituíam uma realidade social tão concreta quanto as raças hoje em dia.
De acordo com o historiador Hugh Trevor-Roper, o declínio da perseguição às bruxas foi em grande parte causado pela revolução científica no século 17, que tornou impossível a crença continuada em bruxaria. Analogamente, o fato cientificamente comprovado da inexistência das "raças" deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais. Uma atitude coerente e desejável seria a valorização da singularidade de cada cidadão. Em sua individualidade, cada um pode construir suas identidades de maneira multidimensional, em vez de se deixar definir de forma única como membro de um grupo "racial" ou "de cor".
Segundo o nobelista Amartya Sen, todos nós somos simultaneamente membros de várias coletividades, cada uma delas nos conferindo uma identidade particular. Assim, um indivíduo natural de Ruanda pode assumir identidades múltiplas por ser, por exemplo, africano, negro, da etnia hutu, pai de família, médico, ambientalista, vegetariano, católico, tenista, entusiasta de ópera etc. A consciência de sua individualidade e dessa pluralidade lhe permite rejeitar o rótulo unidimensional de "hutu", que, como tal, deveria necessariamente odiar tútsis. Pelo contrário, em sua pluralidade de identidades ele pode compartilhar interesses e encontrar elementos para simpatia e solidariedade com um outro indivíduo que também é ruandês, negro, africano, colega médico, tenista e cantor lírico, e que, entre tantas outras identidades, também é da etnia tútsi. Em conclusão, devemos fazer todo esforço possível para construir uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada e na qual exista a liberdade de assumir, por escolha própria, uma pluralidade de identidades. Esse sonho está em perfeita sintonia com o fato, demonstrado pela genética moderna, de que cada um de nós tem uma individualidade genômica absoluta que interage com o ambiente para moldar a nossa exclusiva trajetória de vida. Alguns certamente vão tentar rejeitar essa visão, rotulando-a de elitista e reacionária. Mas, como ela é alicerçada em sólidos fatos científicos, temos confiança de que, inevitavelmente, ela será predominante na sociedade. Talvez isso não ocorra em curto prazo aqui no Brasil, principalmente se o Congresso cometer a imprudência de aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, o qual forçará os cidadãos a assumirem uma identidade principal baseada em cor. Um pensamento reconfortante é que, certamente, a humanidade do futuro não acreditará em raças mais do que acreditamos hoje em bruxaria. E o racismo será relatado no futuro como mais uma abominação histórica passageira, assim como percebemos hoje o disparate que foi a perseguição às bruxas.
SÉRGIO DANILO PENA, 58, médico, doutor em genética humana, é professor titular de bioquímica na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Foi presidente do Programa Latino-Americano do Genoma Humano (1992-1994) e presidente do Comitê Sul-Americano do Programa de Diversidade Genômica Humana (1994-1996).


EDUCAÇÃO MULTICULTURAL: PERSPECTIVAS DE ANÁLISE

O reconhecimento do caráter multicultural de grande parte das sociedades leva à constatação da pluralidade de identidades culturais que tomam parte na constituição histórico-social da cidadania, nas mais diversas localidades. Nesse sentido, estudiosos alertam para a necessidade do reconhecimento da inexistência de uma noção de identidade fixa e bem localizada, enfatizando a pulverização das identidades culturais de classe, gênero, etnia, raça, padrões culturais e nacionalidade a serem levadas em consideração em práticas pedagógico-curriculares, voltadas à construção de uma sociedade democrática e ao desenvolvimento da cidadania crítica e participativa.
Deste modo, uma educação multicultural voltada para a incorporação da diversidade cultural no cotidiano pedagógico tem emergido em debates e discussões nacionais e internacionais, buscando-se questionar pressupostos teóricos e implicações pedagógico-curriculares de uma educação voltada à valorização das identidades múltiplas no âmbito da educação formal. No Brasil, o debate assume especial relevância no contexto da elaboração de uma proposta curricular nacional- os Parâmetros Curriculares Nacionais PCNs (Brasil, 1997) -, que inclui "pluralidade cultural" como um dos temas a serem trabalhados.
Em um contexto de crescente globalização, a necessidade de uma educação para a diversidade cultural tem sido defendida a partir de três argumentos distintos:
De um lado, a diluição de fronteiras geográficas pelos avanços da tecnologia, da mídia e da informática estaria propiciando um intercâmbio entre culturas distintas, o que exigiria uma sensibilização para a pluralidade de valores e universos culturais cada vez mais presentes no cotidiano de educadores, alunos e profissionais.

Um segundo argumento refere-se à constatação de uma filtragem de valores dominantes e de uma cultura predominantemente imbuída por valores consumistas que estaria ameaçando culturas locais, estabelecendo um processo de homogeneização, ameaçador das identidades culturais específicas. Nesse caso, educação multicultural é percebida como uma via pela qual se promove o resgate de valores culturais ameaçados, de forma a se garantir a pluralidade cultural, compreendida em uma perspectiva semelhante à de preservação da diversidade ambiental e à defesa de espécies em extinção.

Em uma terceira perspectiva, a globalização é percebida em sua face mais "perversa": à medida que não beneficia igualmente os diversos grupos socioculturais, estaria consubstanciando processos discriminatórios, legitimando desigualdades e reforçando a exclusão social. Fenômenos de racismo, de xenofobia contra grupos socioculturais fragilizados economicamente (tais como imigrantes pobres nos países europeus, por exemplo), bem como movimentos de luta por afirmação de identidades étnicas, são ressaltados nessa perspectiva. Nesse caso, a educação multicultural seria uma via pela qual se superaria uma visão meramente folclórica ou exótica acerca da pluralidade cultural, bem como iria além do mero desenvolvimento de valores de "tolerância" e de "apreciação" da diversidade cultural.


Nada a acrescentar

Em 1997, o assassinato do índio pataxó Galdino, queimado enquanto dormia num ponto de ônibus em Brasília, provocou uma série de discursos indignados no Congresso.Numa sessão logo após o crime, Gilvan Borges (PMDB-AP) disse ao colega Ney Suassuna (PMDB-PB) que faria um discurso sobre o caso e pediu que o aparteasse. Segundo a liturgia da Casa, o aparte é considerado sinal de prestígio do orador.-Houve um crime bárbaro em Brasília. Jovens de classe média queimaram um índio.Suassuna esperava uma deixa para o aparte, mas Borges mudou a linha de argumentação:-Quero saber onde estavam os pais desse índio, que o deixaram dormindo bêbado na rua, bradou, e passou a culpar os pais pelo assassinato.Suassuna, então, alegou um compromisso urgente e deixou o plenário sem o aparte.

Bush e os hispânicos
O que os dois anos do segundo governo Bush, com sua maioria republicana no Congresso, representaram para os chamados hispânicos é sabido. Um muro -ou melhor, uma muralha-, antes de mais nada. Bush queria dar uma no cravo e outra na ferradura. A muralha entre os EUA e o México era para agradar à direita dos republicanos. Essa passou evidentemente no Congresso. Mas, para não perder o voto hispânico, que vinha aumentando, Bush queria introduzir também um processo de legalização dos imigrantes ilegais já instalados nos EUA. Essa lei foi rechaçada pelo Congresso. Sobrou o muro. Só há dois partidos que contam nos EUA, e eles têm representantes em números muito semelhantes. Isso significa que há um grande peso eleitoral possível para minorias organizadas
Para que mude também o tratamento dos imigrantes ilegais, é necessário, entre outras coisas, que a direção do Partido Democrata se imponha sobre seus membros de forma clara. Vários deles foram eleitos com programas anticasamento gay, antiaborto, anti-restrição de armas... e antiimigrantes.


A guerra às crianças
Arthur Miller afirmou: "Poucos de nós podem abandonar facilmente nossa crença de que a sociedade deve de alguma forma fazer sentido. A idéia de que o estado perdeu o juízo e está a punir tantas pessoas inocentes é intolerável. E assim a evidência tem de ser negada internamente". A verdade de Miller foi uma realidade vislumbrada dia 9 de Junho na televisão, quando navios de guerra israelenses dispararam sobre famílias em piquenique numa praia de Gaza, matando sete pessoas, incluindo três crianças e três gerações. O que isto representa é uma solução final, acordada pelos Estados Unidos e Israel, para o problema dos palestinos. Enquanto os israelenses disparam mísseis sobre palestinos participantes de piqueniques e sobre lares em Gaza e no West Bank, os dois governos matam-nos a fome. As vítimas serão sobretudo as crianças. Agora, o estado de terror sob a forma de um sítio medieval está para ser aplicada aos mais vulneráveis. Para os palestinos, uma guerra contra as suas criança não é uma novidade. Em 2004 um estudo de campo publicado pelo British Medical Journal relatava que, nos quatro anos anteriores, "Dois terços das 621 criança ... mortas [pelos israelenses] nos postos de controle ... a caminho da escola, em suas casas, morreram de pequenas armas de fogo, apontadas em mais da metade dos casos à cabeça, nuca e peito – o ferimento provocado por franco atiradores". Um quarto das crianças palestinas com idade inferior a cinco anos estão agudamente ou cronicamente desnutridas. A muralha israelenses "isolará 97 clínicas de saúde básicas e 11 hospitais das populações a que atendem". Gaza, agora selada como uma prisão aberta e aterrorizada pelos estrondos sonoros dos caças de combate israelenses, tem quase a metade da população com idade inferior a 15 anos. O Dr. Khalid Dahlan, um psiquiatra que dirige um projecto de saúde comunitária destinado a crianças, contou-me: "A estatística, que eu pessoalmente considerei insuportável, é que 99,4% das crianças que estudamos sofrem traumas ... 99,2% tiveram suas casas bombardeadas; 97,5% foram expostas a gás lacrimogeneo; 96,6% testemunharam tiros; um terço viu membros da família ou vizinhos feridos ou mortos".


Escreva uma dissertação com no mínimo 25 linhas com o tema:
“Amai-vos uns aos outros – a humanidade pede respeito”
Dê um título a seu texto

domingo, 26 de agosto de 2007

editorial de domingo - Estadão

Omissão criminosa

É estarrecida que a sociedade brasileira agora fica sabendo que a tragédia de Congonhas teve conotações de verdadeiro crime, decorrente de algo ainda muito pior do que a incompetência técnica de entidades públicas, preenchidas pela via do fisiologismo político – como a princípio se supunha. Muito pior porque agora se sabe da negligência, da omissão e da irresponsabilidade de agentes dessas entidades, que tiveram em mãos todas as informações técnicas sobre a total probabilidade de ocorrência daquela tragédia, mas permitiram que prevalecessem os interesses gananciosos de companhias aéreas, dispostas que estavam a realizar os maiores lucros a qualquer custo, notadamente ao da segurança dos usuários. Documento revelado quinta-feira na CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados – distribuído pela diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, durante o depoimento de mais de sete horas em que se defendia da acusação de ter entregue à Justiça um documento sem validade em favor da liberação da pista de Congonhas – faz a prova incontestável de que tanto a Anac quanto a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) tinham a noção exata do perigo que significava pousar em Congonhas. Em reunião realizada em 13 de dezembro, no Rio, com técnicos da Anac, da Infraero e de companhias aéreas, foi discutido o risco iminente de um avião ali ficar descontrolado e “varar” a pista – exatamente o que ocorreu com o Airbus da TAM, que ultrapassou o fim da pista e explodiu, ao colidir com um prédio.Na ocasião, os técnicos discutiram o assunto com o gerente de Padrões de Avaliação de Aeronaves da Anac, comandante Gilberto Schittini. Este – conforme o que está devidamente consignado na ata da reunião – “reportou que os três incidentes ocorridos recentemente poderiam ser considerados indícios de que há um potencial de ocorrências mais graves, com ultrapassagem do final da pista (varar a pista)”. Acrescentara ele que o risco existia “principalmente se houver uma situação de decolagem abortada ou uma situação de pouso com velocidade e altura superior à de aproximação (pouso alto e embalado)”. Essa informação se encaixa, perfeitamente, naquela prestada no mês passado – à mesma CPI – pelo chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, que fizera uma reunião de emergência em 28 de dezembro, com Anac, Infraero e companhias aéreas, na qual surgira um comentário com este preciso (e terrível) teor: “Tudo leva a crer que teremos um acidente em Congonhas !” Mas há mais comprovações dessa criminosa tragédia anunciada: pilotos de 11 aviões que pousaram, em Congonhas, no dia 16 de julho – véspera da tragédia com o Airbus A-320 da TAM –, em depoimentos prestados ao delegado Antonio Carlos Barbosa, do 27º Distrito, que preside o inquérito policial sobre o acidente, falaram das dificuldades que enfrentaram em seus pousos. Dois deles disseram que por pouco não “vararam” a pista principal. Um terceiro, que comandava o avião ATR-42 da Pantanal, derrapou e parou no gramado ao lado da pista. Para todos a culpa foi da pista escorregadia, um “sabonete”. Afirmou o delegado, sobre o depoimento dos pilotos: “Todos dizem que, se o grooving (ranhuras que ajudam a drenagem) tivesse sido feito, teriam pousado sem problemas.”Bem resumiu a questão o procurador federal Márcio Schusterschitz – autor da ação que pedia o fechamento da pista principal de Congonhas – que, em entrevista a este jornal, referindo-se à Anac, afirmou que “a segurança nunca foi a preocupação primeira”, acentuando: “Antes do dia 17, havia o binômio risco-desculpa. Depois, virou o binômio acidente-desculpa. Todas as ações da agência fazem parte de um contexto único.”É, justamente, contra esse “contexto-único”, em que o menos importante é a necessidade de os cidadãos disporem de vôos seguros (e o mais importante é a “segura” lucratividade das companhias aéreas), que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se dispõe a tomar as mais urgentes providências, começando por instaurar processo administrativo contra diretores da Anac. Esperemos que nisso consiga um rápido êxito – em favor da urgente recuperação da credibilidade, interna e externa, do sistema aéreo brasileiro.

sábado, 25 de agosto de 2007

editorial - sábado no Estadão

A imprensa fez a coisa certa

Mais uma vez a imprensa foi levada ao banco dos réus por ter o jornal O Globo divulgado as mensagens de correio eletrônico entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), captadas pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho. Eles trocaram e-mails na sessão de quarta-feira da Corte, reunida para decidir se abre o processo requerido pelo procurador-geral da República contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão. O presidente Lula falou em “invasão de privacidade”. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ex-titular do Supremo, em “intromissão anticonstitucional em um poder da República”. O presidente da OAB, Cezar Britto, afirmou que o Brasil não pode ter um Big Brother nem cair num “estado de bisbilhotagem”. O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Walter Nunes, considerou que “a revelação das conversas entre os ministros maltrata o princípio basilar da democracia”.A confusão é geral, diria Machado de Assis; mas não precisava ser. As democracias são regidas, entre outras, por duas leis de bronze. Uma assegura à sociedade o direito à informação. Outra assegura o direito à intimidade. Por vezes esses princípios parecem a caminho de colidir na zona de sombra de onde termina o primeiro e onde começa o segundo. Porém não - definitivamente, não - neste caso. A informação que a ordem democrática assegura diz respeito aos atos de interesse público praticados por agentes públicos, ainda mais em recintos públicos, mais ainda em eventos públicos - abertos aos “do povo”, como dizem os juristas, e àqueles cuja missão consiste em lhes dar ciência do que se passa nas instituições que sustentam e existem para servi-los. Fora disso, a vida privada é inviolável, salvo por ordem judicial em contrário, como nas autorizações para a interceptação de comunicações de suspeitos de atividades ilícitas, em inquéritos criminais ou na instrução de processos penais.“Bisbilhotar”, para usar o termo do dia, a esfera particular de figuras públicas - ou seja, as suas atividades e relacionamentos, quando não há motivo razoável para presumir que possam afetar o apropriado exercício de suas funções - é algo inaceitável e merecedor de sanções severas. É também, na sociedade do espetáculo dos dias atuais, em toda parte, um aviltamento dos padrões elementares de decência comum sem os quais a civilidade é no máximo um simulacro. Mas não faz o menor sentido equiparar aos malefícios da cultura de massa, simbolizada por esse detrito televisivo chamado Big Brother - e muito menos à sua versão orwelliana -, o registro e a divulgação de diálogos - por que meio se dêem, ao alcance de terceiros - entre dois membros da mais elevada instância do Poder Judiciário num julgamento de interesse nacional e franqueado à mídia. Esse último fato, aliás, só engrandece o Supremo. O televisionamento dos seus debates é um exemplo reconfortante de que, apesar de tudo, as instituições funcionam.Onde, portanto, a invasão de privacidade ou a intromissão anticonstitucional quando os ministros interlocutores, na plena condição de agentes públicos togados, trocavam idéias sobre questões públicas? A imprensa não só nada transgrediu, mas fez a coisa certa, aquela que é a sua razão de ser: desvendar para a coletividade o que ela precisa saber, como atributo de cidadania. Jornalista e jornal serviram ao público, informando-o do que pensam dois ministros do STF sobre a matéria a respeito da qual devem se pronunciar, sobre os motivos do presumível voto de um colega no mesmo caso e sobre aspectos da nomeação do eventual substituto de outro, que acabou de se aposentar. O problema - e cada qual julgue como queira se problema existe - seria a adequação da conduta dos dois magistrados, naquelas circunstâncias específicas, e o teor do que se escreveram, de forma acessível às lentes de um fotógrafo a poucos passos deles. O que conta é que os brasileiros comuns puderam conhecer algo do funcionamento da sua Corte maior.Nas palavras do jurista Ives Gandra Martins, “foi um brilhante trabalho de jornalismo, mas, para quem vive a rotina do Judiciário, nada do que foi apresentado é novo”. Exemplifica: “Às vezes, frases agressivas são trocadas até na hora do café. Só que para o público isso não costuma ser revelado.”

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

acentuação - alô galera!!!!!!!!

Acentuação gráfica

Regras gerais: Não sei por que a regra número 1 é a favorita do esquecimento de vocês!!

1.1. Proparoxítonas Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados. Exemplos: árvore, metafísica, lâmpada, pêssego, quiséssemos, África, Ângela.

1.2. Paroxítonas São acentuados os vocábulos paroxítonos terminados em:
i(s): júri, júris, lápis, tênis.
us: vírus, bônus.
um/uns: álbum, álbuns.
r: caráter, mártir, revólver.
x: tórax, ônix, látex.
n: hífen, pólen, mícron, próton.
l: fácil, amável, indelével.
ditongo: Itália, Áustria, memória, cárie, róseo, Ásia, Cássia, fáceis, imóveis, fósseis, jérsei.
ão(s): órgão(s), sótão (s), ófão (s), bênção (s).
ã (s): órfã(s), ímã (s).
ps: bíceps, fórceps

Não se acentuam os paroxítonos terminados em ens: hifens, polens, jovens, nuvens, homens.

Não se acentuam os prefixos paroxítonos terminados em i ou r: super-homem, inter-helênico, semi-selvagem.

1.3. Oxítonas São acentuados os vocábulos terminados em:
a(s ), e(s), o(s): maracujá, ananás, café, você, dominó, paletós, vovô, vovó, Paraná.
em/ens: armazém, vintém, armazéns, vinténs.

. Acentuam-se também los monossílabos tônicos terminados em a, e, o (seguidos ou não de s): pá, pé, pó, pás, pés, pós, lê, dê, hás, crês.

As formas verbais terminadas em a, e, o tônicos seguidos de lo, la, los, las também são acentuadas: amá-lo, dizê-lo, repô-lo, fá-lo, repô-la, fá-lo-á, pô-lo, comprá-la-á.

O til vale como acento tônico se outro acento não figura no vocábulo: lã, fã, irmã, alemã

2. Regras especiais Além das anteriormente vistas, cumpre observar ainda as seguintes regras: Acentuam-se os ditongos de pronúncia aberta éu, éi, ói: chapéu, céu, anéis, pastéis, coronéis, herói. Hiatos ôo e êe: vôo, enjôo, vôos, crêem, lêem, dêem.

Coloca-se acento nas vogais i e u que formam hiato com a vogal anterior: sa-í-da, sa-ís-te, sa-ú-de, ba-la-ús-tre, ba-ú, ra-í-zes, ju-í-zes, Lu-ís, pa-ís, He-lo-í-sa, Ja-ú. Não se acentuam o i e o u que formam hiato quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: Ra-ul, ru-im, sa-ir-des, ju-iz. Também não se acentua o hiato seguido do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha, ba-i-nha.

Coloca-se o trema na letra u dos encontros gue, gui, que, qui, quando a letra u for pronunciada atonamente (nesses casos, o û é semivogal: tranqüilo, freqüente, lingüiça, sagüi. Se a letra u de tais encontros for pronunciada tonicamente, levará acento agudo (nesses casos, o u é vogal): averigúe, apazigúe, argúi, argúis. Se a letra u de tais encontros não for pronunciada, evidentemente não levará acento algum (nesse caso, temos dígrafo): quilo, quente, guerra, guerreiro, queijo.

Observações finais a) Os verbos ter e vir levam acento circunflexo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo: ele tem/ eles têm, ele vem/eles vêm.

b) Os verbos derivados de ter e vir levam acento agudo na 3ª pessoa do singular e acento circunflexo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo: ele retém/ eles retêm, ele intervém /eles intervêm.

c) Recebem acento diferencial as seguintes palavras: côa (verbo e substantivo), para diferenciar de coa (contração). pôr (verbo), para diferenciar de por (preposição). pára (verbo), para diferenciar de para (preposição). pêlo (substantivo), para diferenciar de pelo (contração). pélo (do verbo pelar), para diferenciar de pelo (contração). pólo (substantivo), para diferenciar de polo (contração de por+o). pôlo (substantivo), para diferenciar de polo (contração de por+o). pêra (substantivo), para diferenciar de pera (preposição antiga). pôde(3ª pessoa do singular do pretérito perfeito), para diferenciar de pode (3ª pessoa do singular do presente o indicativo)

O uso do porquê:

por que - grafa-se separadamente e sem acento:
a) orações interrogativas diretas: Por que ele saiu?
b) orações interrogativas indiretas: Não sei por que ele saiu.
c) pronome relativo: O caminho por que (pelo qual) passei era difícil. por quê - grafa-se separadamene e com acento, quando ocorrer no final de frases interrogativas: Ele saiu cedo, por quê? Você não aceitou minha sugestão. Por quê?
porque - grafa-se numa única palavra quando for empregado como
conjunção, geralmente causal ou explicativa. Neste caso pode ser substituído pela conjuncão pois. É a resposta da pergunta.
Saí cedo, porque tinha um sério compromisso.
porquê - grafa-se numa única palavra e acentuado quando for substantivo. Não sei o porquê de sua revolta. Nesse caso pode ser reconhecido:
a) pela anteposição do artigo; b) substituindo-o pelas palavras “motivo”, “causa”.

complementando a notícia

Aborto: último recurso

Toda contracepção é falível. É o que justifica assegurar o direito ao aborto a todas as mulheres que optarem por se valer desse último recurso
PARADOXOS existem cuja compreensão nem sempre leva à sua superação. Exemplo cabal é a permanência da prática do aborto em patamares relativamente estáveis em muitas democracias ocidentais, lá onde ele foi inicialmente descriminalizado, antes de ser liberalizado e regulamentado. Não que sua liberalização não tenha sido precedida de medidas garantindo o livre acesso aos mais variados métodos contraceptivos, de forma gratuita ou mediante reembolso como direito do sistema de seguridade social. Esse "script" seguiu a França, quando da aprovação da Lei Neuwirth, em 1967, que antecedeu em oito anos a promulgação, em 1975, da Lei Veil, esta autorizando a interrupção da gravidez sob certas condições. Desde então -e contrariamente a todas as expectativas-, o número de abortos por 1.000 mulheres praticamente não variou ao longo de 30 anos: 14 em 2004, número praticamente idêntico ao de 1975. Vale registrar que essa taxa é muito semelhante à inglesa e inferior à sueca, esta de 15%, a mais elevada da Europa-15 (as menores são da Bélgica e da Espanha, próximas de 6 abortos por 1.000 mulheres). Em 2004, foram realizados aproximadamente 210 mil abortos na França, 70% deles no setor público. Aumenta na França a proporção de abortos seguros, isto é, medicalizados, mediante uso de remédios em lugar de intervenção. Esse percentual já alcança 42% de todos os procedimentos de interrupção voluntária da gravidez (IVG), contra 14% em 1990. Essa progressão se deve ao fato de a França, tal como Inglaterra e Suécia, ter introduzido, desde o início dos anos 90, a opção medicalizada, que mais recentemente vem se generalizando pelos demais países europeus. A interrupção voluntária da gravidez implica permanência de algumas horas em um hospital, mas também já pode ser feita, no período regulamentar de 12 semanas, em qualquer consultório médico, seja por um clínico geral, seja por um ginecologista. Essa é uma das mudanças introduzidas na lei francesa quando de sua revisão em julho de 2001, acompanhando o progresso técnico-científico e os valores éticos. Interessante observar, no entanto, que, nesse mesmo período de 30 anos, o percentual de francesas em idade de procriar (14 a 49 anos) que aderiram a algum método de controle não natural (pílula, diafragma, DIU, preservativo) passou de pouco menos de 50% para 75%. Ou seja, a forte expansão da demanda por contraceptivos -com oferta massiva e de qualidade- não restringiu a demanda por aborto. Tampouco impediu um recrudescimento da taxa de natalidade: a França registra, ao lado da Irlanda -país em que a interrupção voluntária da gravidez é proibida-, a mais alta taxa de fecundidade no âmbito da União Européia: 1,9. Esse resultado, aparentemente paradoxal, é fruto de uma bem-sucedida política natalista ativa do Estado francês, adotada há poucos anos com o intuito de evitar problemas futuros derivados do envelhecimento da população. Política essa feita, diga-se de passagem, sem sacrificar a participação constante e elevada das mulheres no mercado de trabalho. O que caiu significativamente na França foi o número de gravidezes não programadas. Destas, hoje, dois terços são interrompidos e um terço chega à concepção. Em 1975, essa proporção era, respectivamente, de 42% e 48%. Planejar a maternidade é, sem dúvida, a melhor maneira de promover bem-estar e felicidade para todos. Não bastasse isso, graças à legalização do aborto e, notadamente, à progressão do aborto medicalizado e seguro, houve uma redução espetacular da mortalidade materna. Segundo estatísticas oficiais, há menos de uma morte/ano, na França, em conseqüência da prática do aborto (0,3 morte por 100 mil abortos). No Brasil, o aborto é a quarta causa de morte materna, contribuindo para as altas taxas de mortalidade feminina (76 mortes por 100 mil), com elevados custos humanos e financeiros. O ministro da Saúde tem razão: aborto é questão de saúde pública! O risco da procriação não planejada existe e, embora possa ser significativamente reduzido com o desenvolvimento de novas técnicas e métodos modernos mais eficazes, jamais será completamente eliminado. Quem julga o recurso ao aborto como uma escolha irresponsável de contracepção insiste em ignorar que toda contracepção -à exceção da esterilização- é falível. E é isso que justifica assegurar o direito ao aborto a todas as mulheres que optarem por lançar mão desse último recurso. Uma escolha que também nós, brasileiras, queremos ter.

LENA LAVINAS , 54, doutora em economia, é professora associada do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

gramática do texto - tópico frasal

O tópico frasal


A idéia central do parágrafo é enunciada através do período denominado tópico frasal (também chamado de frase-síntese ou período tópico). Esse período orienta ou governa o resto do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários ou periféricos; ele vai ser o roteiro do escritor na construção do parágrafo; ele é o período mestre, que contém a frase-chave.
Como o enunciado da tese que dirige a atenção do leitor diretamente para o tema central, o tópico frasal ajuda o leitor a agarrar o fio da meada do raciocínio do escritor; como a tese, o tópico frasal introduz o assunto e o aspecto desse assunto, ou a idéia central com o potencial de gerar idéias-filhote; como a tese, o tópico frasal é enunciação argumentável, afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do escritor (uma explicação, uma prova, detalhes, exemplos) para completar o parágrafo ou apresentar um raciocínio completo. Assim, o tópico frasal é enunciação, supõe desdobramento ou explicação.

Tipos:
1. Tópico frasal desenvolvido por enumeração.
Exemplo:
A televisão, apesar das críticas que recebe, tem trazido muitos benefícios às pessoas, tais como: informação, por meio de noticiários que mostram o que acontece de importante em qualquer parte do mundo; diversão, através de programas de entretenimento (shows, competições esportivas); cultura, por meio de filmes, debates, cursos.
Faça o mesmo:
1. Na escolha de uma carreira profissional, precisamos considerar muitos aspectos, dentre os quais podemos citar:



2. O desrespeito aos direitos humanos manifesta-se de várias formas:




3. O bom relacionamento entre os membros de uma família depende de vários fatores, como:




4. A vida nas grandes cidades oferece vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, podemos lembrar

e, dentre as desvantagens,




2. Tópico frasal desenvolvido por descrição de detalhes
É o processo típico do desenvolvimento de um parágrafo descritivo:

Era o casarão clássico das antigas fazendas negreiras. Assobradado, erguia-se em alicerces o muramento, de pedra até meia altura e, dali em diante, de pau-a-pique (...) À porta da entrada ia ter uma escadaria dupla, com alpendre e parapeito desgastado.(Monteiro Lobato)

3. Tópico frasal desenvolvido por confronto.
Trata-se de estabelecer um confronto entre duas idéias, dois fatos, dois seres, seja por meio de contrastes das diferenças, seja do paralelo das semelhanças. Veja o exemplo:
Embora a vida real não seja um jogo, mas algo muito sério, o xadrez pode ilustrar o fato de que, numa relação entre pais e filhos, não se pode planejar mais que uns poucos lances adiante. No xadrez, cada jogada depende da resposta à anterior, pois o jogador não pode seguir seu planos sem considerar os contra-ataques do adversário, senão será prontamente abatido. O mesmo acontecerá com um pai que tentar seguir um plano preconcebido, sem adaptar sua forma de agir às respostas do filho, sem reavaliar as constantes mudanças da situação geral, na medida em que se apresentam. (Bruno Betelheim, adaptado)

4. Tópico frasal desenvolvido por razões
No desenvolvimento apresentamos as razões, os motivos que comprovam o que afirmamos no tópico frasal.
As adivinhações agradam particularmente às crianças. Por que isso acontece de maneira tão generalizada? Porque, mais ou menos, representam a forma concentrada, quase simbólica, da experiência infantil de conquista da realidade. Para uma criança, o mundo está cheio de objetos misteriosos, de acontecimentos incompreensíveis, de figuras indecifráveis. A própria presença da criança no mundo é, para ela, uma adivinhação a ser resolvida. Daí o prazer de experimentar de modo desinteressado, por brincadeira, a emoção da procura da surpresa. (Gianni Rodari, adaptado)

5. Tópico frasal desenvolvido por análise
É a divisão do todo em partes.
Quatro funções básicas têm sido atribuídas aos meios de comunicação: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira diz respeito à difusão de notícias, relatos e comentários sobre a realidade. A segunda atende à procura de distração, de evasão, de divertimento por parte do público. A terceira procura persuadir o indivíduo, convencê-lo a adquirir certo produto. A quarta é realizada de modo intencional ou não, por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. (Samuel P. Netto, adaptado)


6. Tópico frasal desenvolvido pela exemplificação
Consiste em esclarecer o que foi afirmado no tópico frasal por meio de exemplos:
A imaginação utópica e inerente ao homem, sempre existiu e continuará existindo. Sua presença é uma constante em diferentes momentos históricos: nas sociedades primitivas, sob a forma de lendas e crenças que apontam para um lugar melhor; nas formas do pensamento religioso que falam de um paraíso a alcançar; nas teorias de filósofos e cientistas sociais que, apregoando o sonho de uma vida mais justa, pedem-nos que “sejamos realistas, exijamos o impossível”. (Teixeira Coelho, adaptado)

Apresentamos a seguir alguns tópicos frasais para serem desenvolvidos na maneira sugerida.

a) As novelas transmitidas pela televisão brasileira são muito mais atraentes que nossos filmes. (por confronto)



b) As cidades brasileiras estão se tornando ingovernáveis. (por razões)



c) Há três tipos básicos de composição: a narração, a descrição e a dissertação. (por análise)



d) Nunca diga que algum ser humano é uma ilha: tudo que acontece a um semelhante nos atinge. (por exemplificação)




2. Encontre o tópico frasal dos parágrafos abaixo:

As causas e formas imediatas da violência variam em cada caso. Conselhos de escola mais atuantes e representativos, com a participação dos pais e autonomia para tomar decisões gerenciais e até pedagógicas, têm-se revelado um instrumento auxiliar poderoso de políticas educacionais de êxito. É lícito supor que sirvam também para minimizar o drama da violência escolar.

É fora de dúvida que apenas a proibição de venda de armas não acabará com a violência, especialmente nos grandes centros urbanos. Mas será importante fator inibidor. Conforme os dados da secretaria de Segurança Pública de São Paulo, metade dos homicídios – notadamente nos finais de semana – é provocada por motivos banais, envolvendo pessoas que nunca tiveram qualquer passagem pela polícia.


Anualmente, milhões de jovens no Brasil comemoram a entrada na universidade. Uma parcela expressiva deles, no entanto, ficará no meio do caminho. Um estudo feito a partir do Censo da Educação Superior pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia mostra que somente metade dos alunos que ingressam anualmente no sistema consegue, quatro anos depois, se formar.Para estimar a evasão no ensino superior brasileiro, o instituto comparou o número de concluintes com o de ingressantes quatro anos antes. Essa relação é chamada de taxa de titulação. No caso do Brasil, ela foi de 51% em 2005, já que 718 mil estudantes se formaram naquele ano, número bastante inferior ao 1,4 milhão que, em 2002, entrou no sistema. Os 49% restantes representariam, portanto, o contingente estimado que evadiu do sistema.

Um bilhão de habitantes de países tropicais ainda sofrem com doenças debilitantes ou desfiguradoras associadas à pobreza, mas muitos não recebem tratamento devido à negligência dos governos, disseram autoridades sanitárias na quarta-feira.Apesar da existência de tratamentos baratos e seguros, pacientes de doenças como hanseníase, elefantíase e framboésia (doença infecciosa semelhante à sífilis) continuam sem tratamento, devido à falta de recursos e de vontade política, disse Jai Narain, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para doenças transmissíveis no Sudeste Asiático.
As baleias jubarte possuem um tipo de célula cerebral que só é encontrada em seres humanos, nos grandes símios e em outros cetáceos como os golfinhos, afirmaram pesquisadores norte-americanos na segunda-feira. Isso pode significar que essas baleias são mais inteligentes que o que se imaginava, e sugere que as bases para o surgimento de cérebros complexos ou evoluíram mais de uma vez ou acabaram não sendo usadas pela maioria das espécies animais, disseram os cientistas.

gramática do texto - colocação pronominal

Obviamente que a idéia não é decorar, mas leiam e guardem algumas formas.

Colocação pronominal
Denomina-se colocação pronominal o conjunto de regras referentes à colocação dos pronomes pessoais, oblíquos e átonos que funcionam como complementos: me, te, se, o, lhe, a, nos, vos, se, os, as, lhes. Relativamente ao verbo, do qual dependem colocar-se antes (próclise), no meio (mesóclise) e depois (ênclise) dele.

Próclise - é de regra com:
1. palavras de sentido negativo. “Ninguém me ama, ninguém me quer...”
2. pronome indefinido. Tudo me parece impossível
3. pronome relativo. Tudo quanto me disseste é falso.
4.com certos advérbios. Bem se vê que lá se vive melhor. Obs.: se depois do advérbio vier vírgula, ocorre ênclise: Aqui se fala muito. Aqui, fala-se muito.
5. conjunções subordinadas. “Quando meu bem-querer me vir, estou certo...” Se você o encontrar,avise-o de que...
6. Gerúndio regido de preposição em. Em se tratando de mulheres, prefiro as inteligentes.
7. infinitivo flexionado regido de preposição. E, por se amarem muito, uniram seus destinos.

Nota: é facultativa quando o infinitivo não flexionado estiver precedido de preposição ou palavra negativa: “Estou aqui para servir-te.”.(ou: para te servir) Meu desejo era não o incomodar”(ou: não incomodá-lo).
Mas, se o infinitivo vier antecedido da preposição a, recomenda-se a ênclise: Estou inclinado a obedecer-lhe. Comecei a compreendê-lo.
8. Nas orações optativas (aquelas que expressam desejo) de sujeito anteposto ao verbo. Macacos me mordam.
9. Nas orações exclamativas. “Quanto sangue se derramou inutilmente!”
10. Nas orações interrogativas. Por que me abandonas?

Mesóclise - É de regra
Com o futuro do presente e com o futuro do pretérito, desde que não ocorra condição para a próclise. “Dir-me-á o leitor que a beleza vive de si mesma!” (M.A.) “Dar-me-iam água para lavar as mãos?” (G. Ramos)

Ênclise - É de regra:
1. Nas orações iniciadas por verbo. Falava-me suavemente. Disseram-me que você me ama.
2. Com verbo no gerúndio, sem partícula atrativa O velho criticava a juventude, dirigindo-se aos presentes. Entendeu o segredo do tempo, olhando-se no espelho.
3. Com verbo no imperativo afirmativo. Dê-me um copo d’água. Faça-me um favor.
4. Com verbo no infinitivo, regido da preposição a. Chegamos a abraçá-lo. “Sabe-se ele se tornará a vê-los algum dia!” (José de Alencar)
5. Junto a infinitivo precedido de artigo. O vender-se; o queixar-se.
6. Nas orações interrogativas, estando o verbo no infinitivo, embora antecedido de palavra ou locução que obrigue a próclise. “Como alistar-me, se o governo não tem inimigos?” Por que arrepender-me? Como apanhá-lo?
Colocação pronominal nas locuções verbais
1) Auxiliar + infinitivo - há quatro possibilidades:
a) ênclise ao auxiliar. O amigo precisou lhe confiar o segredo.
b) ênclice ao infinitivo. O amigo precisou confiar-lhe o segredo.
c) próclise ao auxiliar. O amigo lhe precisou confiar o segredo.
d) próclise ou ênclise ao infinitivo precedido de preposição. O amigo não deixou de lhe confiar o segredo. O amigo não deixou de confiar-lhe o segredo.
2. Auxiliar + Gerúndio - há três possibilidades:
a) próclise ao auxiliar. O amigo lhe estava confiando o segredo.
b) ênclise ao auxiliar. O amigo estava-lhe confiando o segredo.
c) ênclise ao gerúndio. O amigo estava confiando-lhe o segredo.
3) Auxiliar + particípio - há duas possibilidades:
a) próclise ao auxiliar. Os amigos se tinham despedido. b) ênclise ao auxiliar. Os Amigos tinham se despedido.

editorial de quinta - Estadão

O Brasil do Bolsa-Família

Parafraseando um sucesso de Frank Sinatra, de 1957, I have plenty of nothing, o presidente Lyndon Johnson comentou amargamente, em defesa do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, que os negros americanos tinham muito de nada - e nada era muito para eles. No Brasil, se dizia algo parecido: “Para quem é, bacalhau basta.” (À época, o pescado custava uma fração do que custa hoje.) É o que vem à mente quando se lêem, no Estado de ontem, as palavras de Conceição Soares da Silva, mulher de um pedreiro incapacitado, mãe de 5 filhos, moradora do paupérrimo Jardim Elisa Maria, no extremo norte paulistano. “Se não fosse esse dinheirinho, a gente passaria fome”, diz ela dos R$ 225 mensais que recebe, parte do Bolsa-Família (R$ 75), parte do Renda Mínima, da Prefeitura de São Paulo.Conceição está entre os 42,5 milhões de pessoas que formam a parcela mais pobre da população - algo como 22% do total. Ela também está entre os 45,8 milhões assistidos pelo Bolsa-Família, o equivalente a 24,1% dos brasileiros, ou 1 em cada 4. O alcance desse que é um dos maiores programas de transferência de renda do mundo é uma das informações constantes do Perfil das Famílias Beneficiárias do Bolsa-Família, divulgado na terça-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Social, responsável por sua execução. O documento impressiona não apenas por revelar a amplitude a que chegou o programa em um punhado de anos e a sua focalização em geral adequada - uma proeza nada desprezível considerando a extensão do território coberto, o formidável contingente alcançado e o histórico brasileiro de monumentais desvios de verba no assistencialismo tradicional.Recente estudo do Ipea, por sinal, concluiu que 80% dos quase R$ 8,8 bilhões desembolsados pelo governo aliviam efetivamente a situação dos 40% mais pobres entre os brasileiros. E, desde o advento do programa, a concentração de renda diminuiu 4% no País. Tais dados, porém, remetem apenas à ponta do iceberg do problema que deu origem a projetos do gênero no País, cujos pioneiros foram o falecido prefeito tucano de Campinas José Roberto Magalhães Teixeira e o governador então petista do Distrito Federal Cristovam Buarque. O relatório do Ministério, nesse sentido, suscita dois tipos de cogitações. O primeiro é que ser pobre em países como o Brasil - para não falar dos Estados falidos da África e do subcontinente indiano - é muito diferente do que ser pobre nas nações ao mesmo tempo mais desenvolvidas e menos injustas. Numa Alemanha, por exemplo, ser pobre é ganhar menos euros do que os outros e, obviamente, consumir menos do que eles. Já aqui, é ser também iletrado ou analfabeto funcional, como são, no primeiro caso, 16% dos responsáveis legais pelo recebimento do benefício, e 40% deles, no segundo. É não ter acesso a bens públicos elementares nos dias atuais, como o esgoto tratado que falta a aproximadamente 2/3 das famílias incluídas no Bolsa-Família - e isso apesar do fato de o cliente típico do programa morar em cidades (69,2% do total). A outra reflexão provocada pelo estudo do governo é a que se relaciona mais de perto com a frase do presidente Johnson, citada no início deste texto. Tão severa e tão múltipla é a penúria da população da base da pirâmide social brasileira que a ninharia proporcionada pelo programa assistencial é como se fosse uma cornucópia para os seus desvalidos receptores. A bolsa se destina a famílias com renda mensal per capita inferior a R$ 120. (A cada mês, informa a área federal, entram e saem do programa cerca de 50 mil famílias. Saem ou porque estavam indevidamente inscritas, ou porque não mantiveram os filhos na escola, a principal das contrapartidas exigidas, ou porque passaram a ganhar mais do que aquele teto.) O valor do ajutório varia de R$ 18 a R$ 112; em média, é de R$ 72, ou menos do que a quinta parte de um salário mínimo. Mas isso é o quanto basta para sustentar a extraordinária popularidade do presidente Lula. Nem todos os bolsistas são necessariamente lulistas. Existem os que nem sequer sabem de onde vem o dinheiro. Mas o desempenho eleitoral do presidente no Nordeste decerto guarda íntima relação com o fato de que ali vive praticamente a metade dos destinatários do programa.

Notícia

Conselho vota contra filosofia e sociologia

O Conselho Estadual de Educação emitiu parecer no qual considera nula a obrigatoriedade das disciplinas de sociologia e filosofia no ensino médio (2º grau). A medida foi votada no ano passado pelo Conselho Nacional da Educação e homologada pelo Ministério da Educação. Ontem venceu o prazo para as escolas enviarem seus projetos sobre o tema ao ministério. No Estado de São Paulo, a rede pública já tem as disciplinas.

É lamentável que o governo do estado negue as duas disciplinas aos alunos da rede pública. As escolas particulares mais espertas certamente as manterão, o problema é que o vestibular moderno exige um pensamento reflexivo, coisa que tanto a filosofia quanto a sociologia privilegiam.
Carla

complementando a notícia - educação "editorial de quarta do Estadão"

A reinvenção da escola

Todo aluno de 8 anos deverá estar plenamente alfabetizado no final da segunda série, em 2010. Esta é a meta número um do programa educacional recém-anunciado pelo governo paulista. Não é uma ambição modesta neste país. A educação pública, no Brasil, há muito perdeu o rumo e a escola fundamental se converteu em fábrica de iletrados com diploma. A grande mudança proposta pela secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, pode ser resumida numa idéia quase espantosa por sua simplicidade: trabalhar com metas, controlar resultados e estimular o melhor desempenho de professores e funcionários. O programa demandará recursos financeiros, mas seu êxito vai depender principalmente do esforço gerencial. A preocupação constante com metas e resultados não integra a cultura do setor público. Pode ter um lugar na retórica, mas não é parte do dia-a-dia da administração. A maior mudança educacional dos últimos 20 anos foi a universalização da escola fundamental - mais precisamente, do acesso às salas de aula do curso elementar. Milhões de novas carteiras foram ocupadas, mas com resultados abaixo de medíocres em termos educacionais, mesmo no Estado de São Paulo, o mais desenvolvido economicamente. A adoção do regime de ciclos, com promoção automática, produziu uma caricatura do modelo teórico escolhido pelas autoridades. A repetência foi eliminada ou amplamente reduzida. Mas a alta repetência não era o problema essencial: era principalmente um sintoma, um indício da baixa produtividade escolar. Cuidou-se do sintoma, não da doença. O sistema agora proposto inclui avaliações a cada dois anos - por enquanto até a quarta série. No sistema de ciclos, a reprovação só ocorria na quarta e na oitava séries. A mudança pode parecer tímida, mas será o começo de uma ampla renovação, se for executada com rigor e persistência. Outra alteração fundamental será a adoção de conteúdos mínimos para cada série. Os professores deverão receber material de orientação didática preparado pela Secretaria. Os professores, segundo a secretária de Educação, reclamam da falta de orientação clara. Com o novo programa, passarão a trabalhar em função de metas para cada etapa da vida escolar. Tudo isso pode parecer de uma obviedade ululante, mas a grande novidade é o retorno a uma velha e boa concepção mantida com sucesso em outros países: a função da escola é transmitir qualificações essenciais para a formação de pessoas produtivas economicamente e socialmente integradas. A primeira dessas qualificações é uma alfabetização efetiva e não apenas nominal. O programa inclui mudanças no ensino médio, com a adoção de matérias profissionalizantes, para ampliar as perspectivas de trabalho. O acesso à universidade continuará a ser uma opção - e uma ambição para muitos -, mas o novo currículo, de implantação progressiva, deverá enriquecer as possibilidades de emprego para milhões de jovens. As metas incluem, além da plena alfabetização nos dois primeiros anos de estudo, a redução de 50% das taxas de reprovação na oitava série e no ensino médio e o aumento de 10% nos índices de desempenho nas avaliações estaduais e nacionais. Programas de recuperação para alunos com dificuldades, investimentos em infra-estrutura e formação continuada e de capacitação para a equipe escolar serão alguns dos instrumentos. O plano inclui também um sistema de avaliação periódica de cada escola, com prêmios para diretores, professores e demais funcionários, quando forem observadas melhoras de desempenho. “Quanto mais a escola avançar em relação à meta determinada para ela, mais receberá”, explicou a secretária. A idéia é distribuir pelo menos R$ 700 milhões anuais em bonificações por desempenho. Em princípio, essa é uma boa forma de estímulo: o dinheiro será concedido pelo progresso realizado, com baixo risco, portanto, de desperdício e de desmoralização do sistema. Os prêmios não irão, necessariamente, para as melhores escolas, mas para aquelas que fizerem maiores progressos em cada período.A execução do programa será trabalhosa e nada garante seu êxito neste momento. Mas a concepção é sensata e ajustada às necessidades de São Paulo. É um bom começo.

complementando a notícia - educação


A reinvenção da escola

Todo aluno de 8 anos deverá estar plenamente alfabetizado no final da segunda série, em 2010. Esta é a meta número um do programa educacional recém-anunciado pelo governo paulista. Não é uma ambição modesta neste país. A educação pública, no Brasil, há muito perdeu o rumo e a escola fundamental se converteu em fábrica de iletrados com diploma. A grande mudança proposta pela secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, pode ser resumida numa idéia quase espantosa por sua simplicidade: trabalhar com metas, controlar resultados e estimular o melhor desempenho de professores e funcionários. O programa demandará recursos financeiros, mas seu êxito vai depender principalmente do esforço gerencial. A preocupação constante com metas e resultados não integra a cultura do setor público. Pode ter um lugar na retórica, mas não é parte do dia-a-dia da administração. A maior mudança educacional dos últimos 20 anos foi a universalização da escola fundamental - mais precisamente, do acesso às salas de aula do curso elementar. Milhões de novas carteiras foram ocupadas, mas com resultados abaixo de medíocres em termos educacionais, mesmo no Estado de São Paulo, o mais desenvolvido economicamente. A adoção do regime de ciclos, com promoção automática, produziu uma caricatura do modelo teórico escolhido pelas autoridades. A repetência foi eliminada ou amplamente reduzida. Mas a alta repetência não era o problema essencial: era principalmente um sintoma, um indício da baixa produtividade escolar. Cuidou-se do sintoma, não da doença. O sistema agora proposto inclui avaliações a cada dois anos - por enquanto até a quarta série. No sistema de ciclos, a reprovação só ocorria na quarta e na oitava séries. A mudança pode parecer tímida, mas será o começo de uma ampla renovação, se for executada com rigor e persistência. Outra alteração fundamental será a adoção de conteúdos mínimos para cada série. Os professores deverão receber material de orientação didática preparado pela Secretaria. Os professores, segundo a secretária de Educação, reclamam da falta de orientação clara. Com o novo programa, passarão a trabalhar em função de metas para cada etapa da vida escolar. Tudo isso pode parecer de uma obviedade ululante, mas a grande novidade é o retorno a uma velha e boa concepção mantida com sucesso em outros países: a função da escola é transmitir qualificações essenciais para a formação de pessoas produtivas economicamente e socialmente integradas. A primeira dessas qualificações é uma alfabetização efetiva e não apenas nominal. O programa inclui mudanças no ensino médio, com a adoção de matérias profissionalizantes, para ampliar as perspectivas de trabalho. O acesso à universidade continuará a ser uma opção - e uma ambição para muitos -, mas o novo currículo, de implantação progressiva, deverá enriquecer as possibilidades de emprego para milhões de jovens. As metas incluem, além da plena alfabetização nos dois primeiros anos de estudo, a redução de 50% das taxas de reprovação na oitava série e no ensino médio e o aumento de 10% nos índices de desempenho nas avaliações estaduais e nacionais. Programas de recuperação para alunos com dificuldades, investimentos em infra-estrutura e formação continuada e de capacitação para a equipe escolar serão alguns dos instrumentos. O plano inclui também um sistema de avaliação periódica de cada escola, com prêmios para diretores, professores e demais funcionários, quando forem observadas melhoras de desempenho. “Quanto mais a escola avançar em relação à meta determinada para ela, mais receberá”, explicou a secretária. A idéia é distribuir pelo menos R$ 700 milhões anuais em bonificações por desempenho. Em princípio, essa é uma boa forma de estímulo: o dinheiro será concedido pelo progresso realizado, com baixo risco, portanto, de desperdício e de desmoralização do sistema. Os prêmios não irão, necessariamente, para as melhores escolas, mas para aquelas que fizerem maiores progressos em cada período.A execução do programa será trabalhosa e nada garante seu êxito neste momento. Mas a concepção é sensata e ajustada às necessidades de São Paulo. É um bom começo.

1. ENEM 2007

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) exige que o candidato redija um texto do tipo dissertativo-argumentativo, cujo tema se relacione a questões sociais, políticas, culturais e/ou científicas, a partir de uma situação-problema. É automaticamente desconsiderada para correção pela banca avaliadora a redação que se afastar do tema proposto ou for de encontro aos direitos humanos e à cidadania.São cinco as competências avaliadas na prova de redação, conforme se verifica a seguir:
1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escritaVocê não precisa escrever como Machado de Assis ou Gilberto Dimenstein! Porém, é necessário demonstrar um conhecimento mínimo de regras básicas de escrita na nossa língua, supostamente aprendidas em 11 anos ou mais de escolaridade.Por exemplo, atentar para a pontuação é essencial, pois uma vírgula ou ponto final no lugar errado pode comprometer o sentido do seu texto e dificultar a compreensão por parte do leitor (no caso, o avaliador da banca de correção). Além do sentido, é importante lembrar que o respeito às normas gramáticas, ainda que não seja o requisito mais importante na construção do sentido do texto, demonstra algum grau de conhecimento a respeito da língua e isso pode contar a seu favor.
2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativoA compreensão da proposta de redação já é o primeiro passo para que você possa se sair bem na prova, uma vez que o desenvolvimento do tema apresentado torna-se muito mais tranqüilo e não há o risco de seu texto ser desconsiderado pela banca de correção. Além de disso é preciso lembrar de que se trata de um texto em prosa (ou seja, você não pode escrever um poema), do tipo dissertativo-argumentativo, o que significa adotar um posicionamento crítico e reflexivo diante de determinada questão ou expressar sua opinião de modo claro e coerente.Para isso, é essencial valer-se de seu conhecimento de mundo, uma vez que se torna muito mais difícil elaborar um texto sobre algo que você nunca ouviu falar. Daí a importância da leitura de textos diversificados, sobretudo os jornalísticos, para que você tenha o que dizer em sua redação.
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vistaNão basta apresentar dados e informações ou mesmo expressar sua opinião ou expor argumentos se você não for capaz de selecionar, dentre estes, aqueles que de fato apresentam pertinência com o tema proposto.Ademais, além de uma seleção criteriosa de dados, informações e argumentos, é primordial saber organizar as idéias a partir deles e apresentar a sua interpretação para a situação-problema em questão, estabelecendo relações lógicas e coerentes e fazendo a sua leitura da realidade, a fim de demonstrar seu ponto de vista em relação ao tema proposto.
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentaçãoAlém da seleção adequada dos argumentos, conforme ressaltado no item anterior, faz-se necessário organizá-los no texto de modo lógico e coerente. Para isso, é fundamental utilizar os chamados elementos de coesão textual e/ou os organizadores argumentativos, como, por exemplo, advérbios, locuções adverbiais e conjunções, estabelecendo relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva. É preciso, ainda, saber utilizar um repertório lingüístico ou vocabular adequado ao tema e aos objetivos do texto. Isso não significa, em hipótese alguma, valer-se, de maneira desenfreada, de termos e/ou expressões considerados mais rebuscados ou eruditos a fim de impressionar a banca de correção.Lembre-se de que os membros dessa banca são professores de português e já estão bastante acostumados às táticas e "truques" dos candidatos. De nada adianta valer-se desse tipo de artifício para impressioná-los. Assim, é fácil perceber que o vocabulário escolhido deve ser simples e direto e atender aos objetivos do texto.
5. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade socioculturalPartindo-se de uma proposta de redação que apresenta uma situação-problema, é possível concluir que toda a construção da argumentação deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções para a questão levantada. A solução, ou soluções, porém, deve resultar de uma relação lógica e coerente com os argumentos, opiniões, informações e dados apresentados no desenvolvimento. Ademais, embora seja muito difícil que isso ocorra - até porque muitas formas de preconceitos e/ou desrespeito aos valores humanos recebem hoje algum tipo de sanção legal -, é aconselhável cautela diante de seu posicionamento a respeito de determinadas questões consideradas o calcanhar-de-aquiles das sociedades contemporâneas. Por exemplo, o preconceito racial, social e/ou religioso, a prática de tortura ou a apologia à violência de qualquer espécie.A razão é óbvia: idéias e/ou concepções retrógradas e pouco ortodoxas acerca desses temas vão contra as muitas conquistas, sociais, políticas e culturais sedimentadas depois de décadas ou até mesmo séculos de luta por justiça social e respeito à integridade humana.Esperamos que esse breve esclarecimento sobre as competências avaliadas na prova de redação do Enem lhe permita, a partir de agora, perceber melhor aquelas cujo desempenho já se encontra satisfatório ou muito bom e aquelas que ainda merecem mais atenção e mais dedicação da sua parte.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

editorial II Folha - educação

Mérito coletivo

O GOVERNO José Serra finaliza plano ambicioso para a educação pública. A meta é cortar pela metade as taxas de reprovação (22% na 1ª série do ensino médio, por exemplo), até 2010, e alfabetizar todas as crianças de oito anos (na Grande São Paulo, hoje, 40% ainda são analfabetas).Um das prioridades da iniciativa é dar conseqüência à avaliação de desempenho. Em lugar de premiar o mérito individualmente, o incentivo contemplará a escola toda, do diretor e professores a supervisores e merendeiros. Cada unidade de ensino será comparada consigo mesma.Cada uma delas ganhará metas específicas de aprendizado (com base em exames de avaliação e taxas de reprovação), assiduidade de professores e estabilidade do quadro de funcionários. Cumpridas as metas, todos receberiam remuneração adicional. Até as escolas mais deficientes ganhariam, dessa forma, um incentivo para progredir.Reverter o marasmo na educação pública constitui desafio pesado demais para os ombros só de professores. Mesmo ocupando o cerne do processo pedagógico, não basta avaliá-los, cobrá-los e premiar os melhores com bônus e formação. Afinal, o empenho de cada mestre pode ser solapado pelo descaso no restante da escola e pelo atraso de outros estudantes. A revalorização do ensino tem de ser uma obra coletiva ou não se materializará.

editorial de quarta

A obrigação de julgar

Diante da profusão de indícios de crimes, o mínimo a esperar é que os pivôs do mensalão sejam julgados no Supremo

UM JULGAMENTO histórico. Oxalá seja esse o termo apropriado para designar a sessão que começa hoje no Supremo Tribunal Federal. Dois anos, dois meses e 17 dias após deflagrado o escândalo, dez ministros vão decidir se aceitam a principal denúncia ligada ao mensalão.É frustrante constatar que não haverá sentença sobre os desmandos que abalaram o governo Lula tão cedo. Desapontamento maior, contudo, virá na hipótese de a corte impedir o julgamento dos principais personagens do caso. Para que se aceite uma denúncia, basta que os magistrados reconheçam indícios de prática de ilícitos na peça assinada pelo procurador-geral da República. O texto de Antonio Fernando Souza está coalhado deles.Afirma a denúncia que uma "quadrilha", cujo núcleo central era composto por José Dirceu, à época chefe da Casa Civil de Lula, e pelos então dirigentes petistas José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, se formou com o objetivo de "garantir o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros partidos e do financiamento futuro e pretérito das suas próprias campanhas eleitorais".As pistas fundamentais para a elucidação do esquema foram reveladas por Roberto Jefferson, então presidente do governista PTB, em entrevistas a Renata Lo Prete publicadas nesta Folha. O mensalão, o papel de Delúbio Soares na compra de apoio político, o envolvimento dos principais líderes aliados de Lula, a participação de um até então desconhecido Marcos Valério de Souza, "todas as imputações feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas", escreve o procurador-geral.Marcos Valério, que desenvolvera uma tecnologia de desvio de recursos durante o governo tucano de Eduardo Azeredo em Minas, ofereceu seus préstimos ao petismo antes mesmo da posse de Lula. Por meio de suas empresas de fachada foram remetidos ao exterior R$ 10 milhões em dinheiro sujo para remunerar Duda Mendonça, o publicitário da campanha lulista de 2002.Também pelas firmas do lobista mineiro travestido de publicitário fluíram pelo menos R$ 55 milhões para abastecer parlamentares em Brasília, nas famosas peregrinações de políticos à agência do Banco Rural da capital do país. A generosidade dessa instituição financeira, aliás, levou-a a comprometer 10% de sua carteira de crédito (R$ 292,6 milhões em março de 2005) com empréstimos a Marcos Valério e seu grupo e ao próprio PT."Simulação de empréstimos", afirma Antonio Fernando Souza: "Tanto o grupo ligado a Marcos Valério quanto as instituições financeiras apenas ingressaram no esquema, pois tiveram a prévia concordância do ministro chefe da Casa Civil e a garantia da inexistência de controle sobre suas atividades ilícitas e de benefícios econômicos diretos e indiretos".A participação de autarquias e empresas estatais, bem como de companhias privadas interessadas em informação e tratamento privilegiados do poder público, fecha o circuito lógico do esquema. Operações fraudulentas com o Banco do Brasil, a Câmara dos Deputados, o Ministério dos Esportes, os Correios e a Eletronorte, segundo a denúncia, abasteceram o valerioduto. Daí a centralidade de Dirceu, responsável pelo aparelhamento da máquina federal, no esquema narrado. É descrito como "o principal articulador dessa engrenagem".Por tudo isso, os 40 do mensalão devem ir a julgamento.

complementando a notícia

Caros alunos
Este link é de um vídeo muito interessante que vai questionar a mídia sensacionalista e responsabilizá-la pelo "pânico midiático" que está sendo criado em cima do aquecimento global.
Ao que tudo indica uma poderosa indústria e ideologias políticas estão sendo criadas por causa disso. É importante que percebam que as mudanças climáticas estão ocorrendo e que são notórias, a humanidade sente na pele que a Terra está mais quente, mas a mídia e o espírito mercantilista inerente à espécie transformam qualquer fenômeno em lucro e exploração.
Carla

http://www.youtube.com/watch?v=1JCVjg7H94s

terça-feira, 21 de agosto de 2007

crônica - Cony

Terror por terror

Antigamente, em cada bairro, em cada rua, havia um sujeito que tinha a fama (ou a glória) de ser lobisomem em noites de lua cheia. Havia sempre um corno em evidência, um bicheiro aposentado, um ex-padre amasiado com a empregada, um candidato a vereador eternamente derrotado. Mas o espécime mais notório era o cara que se transformava em lobo e andava pelas ruas uivando contra as estrelas.Inspiravam mais pasmo do que horror. O sujeito até que não fazia nada de especial, mas todos o evitavam. Mesmo assim eram procurados, sendo bons em dicas que davam sobre o jogo do bicho. Seu Almeida acertou um milhar e atribuiu a façanha ao palpite que recebera do Sacadura -um tipo alourado e sem dentes que já fora visto em forma de lobo pulando a janela de uma tal de Moerís, mulher de um amanuense da Marinha de Guerra.Não havia mulas-sem-cabeça nas ruas do Rio bucólico de outros tempos. Nem sacis -que eram exclusividade do interior mais profundo, do rio Meriti para cima. Mas sobravam lobisomens, que eram apontados nas ruas como os cornos. Muitos deles acumulavam as duas funções, cornos de dia e lobos em noites de luar.Não havia balas perdidas naquele tempo. Morria-se de gripe, de pulmões avariados, de aneurismas arrebentados, de mortes decentes, que provocavam enterros decentíssimos, com direito ao pranto aberto e ao luto fechado. As viúvas ficavam mais apetitosas com as meias pretas e aquele véu cobrindo o rosto.Receberei e-mails reclamando que não escrevo sobre os manetes do Airbus, as pistas ensaboadas dos aeroportos, os bois do Renan, as dificuldades do ministro da Defesa em acomodar seu 1,90 m nas poltronas da classe econômica. Preferi falar dos lobisomens. Terror por terror, eram mais inofensivos.

editorial de terça

Promessas e desencontros

UM MÊS depois do pior acidente da história -e quase 11 após o segundo mais mortífero-, o governo federal ainda não apresentou uma resposta satisfatória para a questão aeroportuária. O balanço de ações e promessas contabiliza alguns passos promissores em meio a desencontros.O ministro Nelson Jobim, debutante na Defesa, movimentou-se bastante, produziu boas frases e boas fotos. Do "Aja ou saia, faça ou vá embora" à alegoria do pragmatismo felino -"Não interessa a cor do gato, mas saber se come os ratos"- tomada de Deng Xiaoping, caprichou na eloqüência. Mas o estadista determinado também andou batendo cabeça.O esperado banimento de jatos executivos de Congonhas não ocorrerá. Também do aeroporto da capital seriam transferidos 21 vôos comerciais para Viracopos, disse Jobim num sábado -e voltou atrás na quinta seguinte.Após depoimento no Congresso, o titular da Defesa aferrou-se a uma idéia -diminuir o número de assentos nos aviões- que está longe de ser prioritária quando o básico do sistema de transporte aéreo está em colapso. Corrigir a baderna na malha aérea exigirá a imposição de algum ônus às empresas, cujos interesses imperaram sobre o público até aqui. Seria prudente evitar embates acessórios, até para não dar às companhias mais pretexto para aumento de tarifas.A mudança na diretoria da Infraero, o desafogo emergencial de Congonhas, o entrosamento com o governo paulista e o restabelecimento da cadeia de comando em seu ministério são os aspectos positivos da gestão Jobim até aqui. O ministro agora promete apresentar ao presidente Lula um plano para a ampla reformulação da burocracia do setor aéreo. Espera-se que a partir daí Nelson Jobim consiga levantar vôo das ações paliativas, rumo às soluções estruturais.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Mudança da norma ortográfica

Brasil se prepara para reforma ortográfica

Novas regras da língua portuguesa devem começar a ser implementadas em 2008; mudanças incluem fim do tremaMinistério da Educação já prepara a próxima licitação dos livros didáticos, que deve ocorrer em dezembro, pedindo a nova ortografia

O fim do trema está decretado desde dezembro do ano passado. Os dois pontos que ficam em cima da letra u sobrevivem no corredor da morte à espera de seus algozes. Enquanto isso, continuam fazendo dos desatentos suas vítimas, que se esquecem de colocá-los em palavras como freqüente e lingüiça e, assim, perdem pontos em provas e concursos.O Brasil começa a se preparar para a mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y (veja quadro). As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa -uma população estimada hoje em 230 milhões- e têm como objetivo aproximar essas culturas.Não há um dia marcado para que as mudanças ocorram -especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para a sociedade se acostumar. Mas a previsão é que a modificação comece em 2008.O Ministério da Educação prepara a próxima licitação dos livros didáticos, que deve ocorrer em dezembro, pedindo a nova ortografia. "Esse edital, para os livros que serão usados em 2009, deve ser fechado com as novas regras", afirma o assessor especial do MEC, Carlos Alberto Xavier.É pela sala de aula que a mudança deve mesmo começar, afirma o embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP (Comissão de Países de Língua Portuguesa). "Não tenho dúvida de que, quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos."Tecnicamente, diz Moreira, a nova ortografia já poderia estar em vigor desde o início do ano. Isso porque a CPLP definiu que, quando três países ratificassem o acordo, ele já poderia ser vigorar. O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro.António Ilharco, assessor da CPLP, lembra que é preciso um processo de convergência para que a grafia atual se unifique com a nova. "Não se pode esperar resultados imediatos."A nova ortografia deveria começar, também, nos outros cinco países que falam português (Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste). Mas eles ainda não ratificaram o acordo."O problema é Portugal, que está hesitante. Do jeito que está, o Brasil fica um pouco sozinho nessa história. A ortografia se torna mais simples, mas não cumpre o objetivo inicial de padronizar a língua", diz Moreira."Hoje, é preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais: com a grafia de Portugal e do Brasil. Não faz sentido", afirma o presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça.Para ele, Portugal não tem motivos para a resistência. "Fala-se de uma pressão das editoras, que não querem mudar seus arquivos, e de um conservadorismo lingüístico. Isso não é desculpa", afirma.

O que muda

Entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro será alterado com as mudançasHÍFENNão se usará mais:1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"TREMADeixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivadosACENTO DIFERENCIALNão se usará mais para diferenciar:1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)ALFABETOPassará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"ACENTO CIRCUNFLEXONão se usará mais:1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"ACENTO AGUDONão se usará mais:1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguemGRAFIANo português lusitano:1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido

opinião

Nova agenda da educação de São Paulo

As escolas que apresentarem melhor evolução receberão uma remuneração adicional, a qual beneficiará o conjunto dos seus funcionários

NOS ÚLTIMOS anos, o acesso à escola se universalizou. Nada menos do que 98,6% da população de sete a 14 anos do Estado de São Paulo está na escola, segundo o IBGE. Na faixa etária entre 15 e 17 anos, há 86,4% de estudantes em São Paulo, o maior índice do Brasil. Superado o desafio da inclusão, que foi uma vitória da sociedade, outro muito mais complexo está colocado: é o desafio da qualidade e da melhoria efetiva do aprendizado em nossas escolas. O governador e professor José Serra está determinado a perseguir de maneira obsessiva a melhoria da qualidade do aprendizado no Estado, que passa a ser o foco da Secretaria de Educação. Para isso, uma nova agenda é necessária. O esforço pela busca de qualidade e de resultados tem que começar desde o início da vida escolar. O governo já implantou o projeto Ler e Escrever, com prioridade para a alfabetização de nossas crianças nas séries iniciais, que, entre outras medidas, prevê a presença de um professor auxiliar nas salas de aula. O processo de alfabetização de uma criança é fundamental. Como a aprendizagem é cumulativa, o baixo desempenho em leitura e escrita nas séries iniciais provoca graus sucessivamente maiores de fracasso escolar nas séries subseqüentes. O nosso objetivo é ambicioso, porém atingível: todos os alunos de oito anos plenamente alfabetizados até 2010. Será dada especial atenção à formação inicial dos professores, que terão programas que estimulem a capacitação. Como reforço dessa política educacional, daremos ênfase ao acompanhamento pedagógico, com a criação de um coordenador específico para cada segmento da vida escolar. Outra importante providência é a definição das expectativas de aprendizagem para cada série, elemento fundamental para a qualidade da educação. São Paulo iniciará a implantação, a partir de 2008, do ensino fundamental de nove anos. Vamos acelerar a política de municipalização de 1ª a 4ª séries, com ações articuladas que permitam a execução de uma política pública educacional para todo o Estado. O ensino médio terá uma estrutura curricular com ênfase na sondagem vocacional. Os avanços incessantes na evolução tecnológica desafiam nossos jovens a se manterem constantemente preparados para os desafios da vida profissional. A rede estadual vai investir no ensino profissionalizante como optativo aos cursos noturnos e estabelecer parcerias com o setor privado para elevar a qualidade de ensino de informática e línguas. Faz parte dessa agenda a necessária avaliação das unidades escolares em função de critérios que comprovadamente afetam a qualidade do aprendizado. Esses critérios, de acordo com toda a experiência acumulada e a melhor literatura nacional e internacional, passam pelas avaliações de aprendizado (tanto externas, como provas estaduais e federais, como as taxas de aprovação e reprovação), pela assiduidade dos professores e pela estabilidade do quadro de profissionais da escola, ente outros fatores. Trata-se de uma proposta que tem por objetivo valorizar o esforço do conjunto da equipe da escola. Não se trata de avaliar individualmente os professores e tampouco comparar o desempenho das escolas da rede entre si, o que aprofundaria as desigualdades do sistema. A idéia é comparar a escola em relação a ela mesma, considerando sua evolução no tempo em relação ao seu ponto de partida. Assim, antes do final deste ano, faremos uma avaliação de todas as 5.550 escolas individualmente. Cada uma delas receberá metas. No próximo ano, na mesma época, faremos nova avaliação, comparável à deste ano. As escolas que apresentarem melhor evolução receberão uma remuneração adicional, a qual beneficiará o conjunto dos seus funcionários: diretor, supervisor, professores, pessoal administrativo. Tais medidas favorecem escolas em situação mais crítica, que receberão apoio especial para superar as dificuldades. É um trabalho que levará à maior eqüidade do sistema. Mudar para melhor a qualidade da educação depende de uma ação coletiva. Pressupõe a seriedade de propósito do governo e a coragem de promover mudanças. Exige, fundamentalmente, a participação ativa da rede qualificada de mais de 245 mil professores, supervisores e diretores de escola, que devem ser reconhecidos e motivados pela importância do seu trabalho. Adotar uma nova agenda para a educação vai permitir o aprimoramento sustentável da escola.

MARIA HELENA GUIMARÃES DE CASTRO é professora da Unicamp e secretária estadual de Educação de São Paulo. Foi secretária-executiva do Ministério da Educação (2002) e presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) entre 1995 e 2002.