Diversão dá lugar à matemática em 98% das cidades do paísDa redaçãoEm São Paulo
Sábado é considerado um dia de lazer para a maioria das crianças e adolescentes, mas este 20 de outubro foi diferente para cerca de 780 mil estudantes brasileiros. Em 98% dos municípios do país, a diversão deu lugar às difíceis questões da 3ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Em sua segunda fase, a 3ª Obmep apresentou seis questões dissertativas para serem resolvidas em três horas.Em São Paulo, as dependências de um cursinho na rua Vergueiro foi o local de aplicação das provas para mil estudantes de ensinos fundamental e médio. Antes de começar o teste, a concentração era grande em frente ao prédio.Grupos de estudantes repassavam fórmulas e equações que poderiam ser abordadas durante o teste. A equipe do UOL Educação esteve no local e conversou com esses apaixonados pela matemática.
O estudante da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jackson de Figueiredo, Henrique Coelho Muhriger, 11, sabe muito bem como aplicar a matemática no dia-a-dia. Calcula seu dinheiro para não gastar mais do que possui e ajuda os parentes a fazer contas 'de cabeça'. "Assim eu aprendo mais rápido", diz. O garoto, que ficou entre os melhores de sua escola na primeira fase da Obmep, está confiante que conseguirá passar para a terceira. "Eu quero ganhar as Olimpíadas", disse.Se experiência contasse na hora de responder a prova, a de Arthur Borges Monteiro de Toledo, 12, o levaria aos primeiros lugares da olimpíada. O estudante da 6ª série da Escola Estadual Visconde de Congonhas do Campo, no Tatuapé, já participou até de programa de auditório. Ele foi selecionado para representar a escola em um quadro de perguntas de conhecimentos gerais - sua equipe terminou a competição em segundo lugar. Arthur também conquistou medalha de prata em uma olimpíada de matemática promovida pela cidade de São Paulo, em 2005. Ano passado, participou da Obmep, mas foi desclassificado na segunda fase. "Este ano, eu espero chegar até a final".Outro estudante que se destaca em competições de matemática é Brian Lopes Sandez, 14. Aluno da Escola Estadual Neli Carboniere, ele conquistou o primeiro lugar de um concurso de matemática organizado pela escola. Com o bom desempenho, Brian ficou em 6º lugar na cidade de São Paulo. "Minhas notas caíram, mas posso melhorá-las. É só não responder as questões usando fone de ouvido", diz Brian, que é fã de rock metal.
Como funciona a Obmep
A olimpíada conta com duas fases, realizada em todo o Brasil. A primeira ocorre dentro das escolas públicas e seleciona os melhores de cada uma. Participam da segunda etapa 5% dos estudantes mais bem colocados na primeira fase, de cada nível de ensino, em cada escola. A competição abrange três níveis de ensino: o primeiro é voltado aos alunos matriculados na 5ª ou 6ª séries do ensino fundamental; o segundo corresponde aos estudantes de 7ª e 8ª séries do fundamental; e o terceiro é destinado aos matriculados no ensino médio.O exame deste sábado começou às 14h30 e os alunos tiveram até três horas para responder seis questões discursivas. É preciso exibir os cálculos e explicar o raciocínio usado na resolução de cada item.O padrão de respostas oficial deve ser divulgado no início de novembro e o resultado, em 10 de dezembro. Segundo a assessoria da Obmep, as provas serão corrigidas pelos coordenadores regionais do concurso, todos com grande conhecimento da matéria.
Premiação aos melhores
A competição premiará 300 alunos com medalhas de ouro, 600 com medalhas de prata e 2.100 com bronze. Além disso, serão distribuídos 30 mil certificados de menção honrosa. Os três mil melhores classificados receberão do programa de Iniciação Científica Júnior do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) uma bolsa de R$ 100 cada, durante um ano.Os professores serão classificados de acordo com o rendimento de seus alunos. Os 127 melhores participarão de cursos de aperfeiçoamento no Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio de Janeiro. As escolas que tiverem os alunos mais bem colocados em cada Estado receberão um notebook com datashow, livros para a composição de uma biblioteca básica em matemática, laboratórios de informática e certificados de mérito nacional. Para os municípios serão concedidos troféus aos 50 que obtiverem maior pontuação.
A prova existe em 80 países. No Brasil, é feita em escolas particulares desde a década de 1970, mas só foi criada nas escolas públicas há três anos. Neste terceiro ano de olimpíada, 17.340.895 alunos se inscreveram em todo país, em 38.453 escolas. O número de candidatos em 2007 alcançou, em alguns Estados, quase a totalidade das escolas públicas: 93% no Mato Grosso do Sul, 81% em Minas Gerais e 86% no Distrito Federal. São Paulo obteve o maior número de inscrições: 3.558.208 alunos.Na edição anterior, em 2006, inscreveram-se na competição 14 milhões de estudantes de 32.655 escolas de todos os Estados do país. A edição teve quatro milhões de alunos a mais do que a primeira, realizada em 2005.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário