terça-feira, 6 de março de 2007

Nota vermelha

QUANDO JÁ não parece mais possível receber más notícias sobre o desastre educacional, eis que elas não param de chegar. A última má nova saiu de um recorte paulistano do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem): nenhuma escola estadual da maior cidade do país obteve "nota azul" na prova. Todas as 621 escolas consideradas tiveram rendimento inferior a 50%.O desempenho pífio dos estabelecimentos da capital foi revelado por Laura Capriglione nesta Folha. Apenas 12 escolas reconhecidamente diferenciadas na rede oficial do Estado -11 técnicas e uma ligada à USP- foram excluídas da amostra.
A mediocridade é geral. Mesmo ressalvadas as limitações de abrangência do Enem (o exame não é obrigatório), impressiona a disseminação do mau resultado por todas as regiões do município. A melhor das 13 regiões (Centro-oeste) conseguiu a média de 40,76 pontos de acerto no total de cem possíveis. A pior (Sul 2) ficou em 37,07.A nota média da capital ficou em 38,42, muito abaixo dos 52,81 pontos das escolas privadas do município (que já não são nenhuma maravilha). Para comparação, a avaliação do Estado de São Paulo como um todo, incluindo as redes municipais e particular, foi 40,37; no plano geral nacional, 40,08. De qualquer ângulo que se observe, o desempenho da educação vai mal.Considerar que possa haver algo de positivo nessa uniformidade da ignorância, como chegou a pronunciar-se a titular da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp) da Secretaria da Educação, não passa de um arroubo panglossiano.
Nada há nem pode haver de auspicioso em nivelar por baixo um requisito tão básico do desenvolvimento socioeconômico. Melhor fez a própria ocupante da Pasta, Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos, que reconheceu o resultado como "alarmante". Com efeito, é de alarme que se trata, e vermelho, pois o estágio amarelo já se ultrapassou há muito. O governador José Serra tem a palavra para esclarecer como pretende reverter o descalabro educacional na capital e no Estado que o elegeram.

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