segunda-feira, 12 de março de 2007

Editorial

Aberta e vulnerável
A WIKIPÉDIA é hoje uma ferramenta tão familiar ao internauta quanto o sistema de busca Google e a página de vídeos YouTube. A diferença está no fato de essa enciclopédia aberta não visar lucro e representar um usual exemplo de livre interação na internet -o que a torna também vulnerável.Em seus primórdios, a Wikipédia permitia que todos os seus verbetes fossem editados por qualquer pessoa. Logo surgiram os problemas, que iam do vandalismo ideológico à desigualdade e hiperespecialização de algumas das entradas.
O golpe mais recente na confiabilidade da enciclopédia foi o caso Ryan Jordan. Esse estudante americano de 24 anos era um dos mais prolíficos editores voluntários da Wikipédia, com mais de 20 mil intervenções em verbetes, em geral para desfazer ações de vândalos.
Jordan atuava sob pseudônimo ("Essjay"), como é usual no universo "wiki". Ocorre que, além do apelido, ele inventou também uma personalidade fictícia: doutor em teologia, professor de uma universidade privada, e por aí. Foi desmascarado pela revista "The New Yorker".Foi um duro golpe. Vale notar que a credibilidade, que já sofrera reveses, havia sido em parte reabilitada pelo prestigioso periódico científico britânico "Nature", que testou 42 verbetes sobre ciência e os comparou com seus equivalentes na enciclopédia "Britannica". Somente oito erros graves foram detectados, quatro em cada uma. Empate.O caso Jordan está longe de aniquilar a experiência da Wikipédia, iniciativa que já conta com 1,7 milhão de verbetes. Serve, porém, para revalidar um velho princípio intelectual: nenhuma fonte de informações está isenta de erro. Com a generalização do uso da internet no ensino, nunca foi tão atual a regra que manda desconfiar de todas elas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Creio não ter entendido a tese defendida pelo autor nesse editorial. Por um lado ele quer atacar a credibilidade do Wikipedia, por outro ele a defende atacando as outras fontes de informação, como nas ultimas passagens?

"Serve, porém, para revalidar um velho princípio intelectual: nenhuma fonte de informações está isenta de erro. Com a generalização do uso da internet no ensino, nunca foi tão atual a regra que manda desconfiar de todas elas."

Ou seria o objetivo dele demonizar todas as fontes de informação para fazer o seu jornal vender mais?

Anônimo disse...

Não, ele defende a tese de que não podemos confiar em nada de olhos fechados, qualquer fonte de informação é passível de erro, é bom sempre conferir antes de sair por aí confirmando coisas.